domingo, 17 de maio de 2015

O “SANEAMENTO BÁSICO” POR AÍ




O “SANEAMENTO BÁSICO” POR AÍ


 O conjunto de procedimentos que deveriam ser adotados em uma determinada região visando a proporcionar uma situação higiênica saudável para os habitantes, está cada vez pior em determinadas regiões do país.




Em nosso enfoque vamos tratar exclusivamente do Serviço de Abastecimento de Água, que é essencial a sobrevivência humana, matando a sede, higienizando o ambiente da moradia, e do corpo humano. 


Para saciar a sede o ser humano em qualquer região do mundo possui a mesma fisiologia, e necessidades diárias, sob pena de seu falecimento. A sede em condições extremas pode ser saciada por um período curto, com seivas extraídas de certas plantas, a urina, entre outros, porém em qualquer situação uma condição é fundamental para o liquido que ingerimos, é que tenha SEGURANÇA SANITÁRIA, que significa não ser vetor de nenhuma doença, 

(ver: http://jorcyaguiar.blogspot.com.br/2011/09/principais-doencas-de-veiculacao.html)

A regra geral é que toda água não tratada, é potencialmente possível de ser contaminada, principalmente por fezes que estão presente nos mananciais superficiais (rios, lagos...), assim como no manancial subterrâneo pois a maioria dos poços acessam o lençol freático, que são águas oriundas de infiltrações de chuva, de fossas, de rios, lagos...etc. 



Regra geral existe uma cultura da “água limpa”, ah, minha água é de poço e não tem nenhum problema, é limpinha. Sim, mas não é limpinha as luzes do microscópio.

Certa vez, visitando o município de Matriarca das Águas, conversava com o farmacêutico da cidade, ele me dizia que a maior saída de remédios de sua farmácia era para tratamento de giárdias, diarreias, e outras menores incidências devido ao consumo de água de poços caseiros contaminados. Além de que o serviço público não fugia desta realidade, pois também abastecia grande parte da cidade com a política de água gratuita, porém sem nenhum tratamento.





No município de Nova Divisão, conversamos com D. Raimunda, ela usava água do poço caseiro, e nos chamou atenção o excesso de tranqueira por sobre o mesmo, 




Ah, esse é meu sistema anti roubo, pois se alguém tentar roubar a minha bomba, vai ter que tirar tudo que está em cima, e daí eu escuto o barulho; genial, porém os ratos também buscam este esconderijo, e ali urinam, soltam pelos, e o resultado não é nada bom. 

A verdade é que por conta da desinformação, e da ausência do poder público nas ações de saneamento, a população se vira como pode e o acesso mais fácil a água mesmo não sendo potável é o poço raso, que capta do lençol freático contaminado.

O descaso com o saneamento é tão absurdo, que na cidade de Ancoradouro do Norte, perguntamos ao operador porque a qualidade da água era tão ruim, recebi a seguinte resposta:

“A ETA, já não possui leito filtrante, os decantadores e floculadores não são lavados há muito tempo, pois as válvulas estão estragadas, e a bomba de cloro está queimada e não há recurso para arruma-la”, parece brincadeira, mas é verdade, e a população amarga uma situação onde devido a presença de ferro na agua bruta, aliada a uma elevada turbidez, recebe esta água para uso geral, e compra água “mineral”, para consumo. E assim tem dois custos, o do serviço público e o da aquisição de água para beber.






Há quem diga que está perdendo os cabelos, por tomar banho com esta água imprópria, o certo é que registros da secretaria de saúde demonstram que a cidade é campeã, em doenças de origem hídrica.

E sem nominar, algumas cidades possuem poços com água salobra, e como há um discurso político de que “é melhor você ter uma água salobra e poder lavar suas panelas, sua roupa e tomar banho, do que ficar sem nada, e o povo, é claro diante da necessidade de sobrevivência, acaba bebendo desta água. 

E por falar em sal, dessalinizar é muito caro, e se o poder público não consegue produzir água de qualidade necessitando apenas de fazer a desinfecção com cloro, é inimaginável, que supere a barreira de fornecer água por meio de dessanilizadores.

São raras as localidades em que o poder público fornece água com qualidade, em alguns estados do Norte, e parte do Nordeste do país, em alguns casos vira caso de polícia, como na cidade de Estação, onde a cidade em estado de calamidade com o abastecimentos de água, teve a verba enviada pelo governo federal, para resolver o problema, totalmente surrupiada pela gestora municipal, e assim a população vai continuar a sobreviver com água salgada e contaminada.

Área da sonhada obra da Estação de Tratamento de Água, que deve o recurso desviado.

E fruto do descaso com o Saneamento, estaremos muito longe de ver uma solução para o abastecimento de água para todas as cidades com serviço adequado, e segurança sanitária, falar em esgoto é utopia nas pequenas e médias cidades, pois se constrói, e não há manutenção, vai resultar em desperdício de dinheiro, com elevatórias paradas, redes entupidas e estação de tratamento de esgotos assoreadas como em Soberana, que sonha com recursos do PAC 3, para resolver problemas de investimentos. 


A tarifa dos serviços municipais, historicamente não remunera o agente público, permitindo apenas ações operacionais, não gerando portanto receitas para investimentos, que precisa do caixa, ou do Governo Federal, ou da iniciativa privada.


O sinal econômico já foi dado, A situação do saneamento básico no Brasil chega a ser trágica, na Região Norte do País, só 1 em cada 7 domicílios é ligado à rede, O prejuízo social dessa situação é imenso. Há estatísticas abundantes e inequívocas sobre o impacto da falta de saneamento na mortalidade infantil e na grande incidência de doenças transmitidas pela água não tratada ou relacionadas à falta de esgotamento sanitário. Estudo recente do Instituto Trata Brasil, por exemplo, mostra que a inadequação dos serviços de saneamento no País provoca cerca de 75 mil internações por infecções gastrointestinais por ano. Esses males reduzem a frequência escolar, afetando o rendimento dos alunos. Estudos recentes mostram os efeitos prejudiciais sobre a formação do cérebro dos fetos em razão da elevada frequência de doenças por veiculação hídrica nas gestantes.

Cada real investido no saneamento acarreta efeitos positivos que vão muito além da própria área, propiciando não só menores gastos governamentais no sistema público de saúde, como benefícios expressivos ao meio ambiente, à educação, ao desenvolvimento regional e à economia como um todo.
É bem sabido também que o saneamento básico propicia a revitalização do espaço urbano. Quando uma área que não dispunha de água tratada e esgotamento sanitário passa a ter acesso a esses serviços, experimenta valorização imobiliária, transferindo riqueza para famílias carentes e beneficiando o conjunto da sociedade. (Fonte: Trata Brasil)


Em matéria de recursos, o volume de investimentos realizado anualmente no setor é insuficiente para alcançar a meta, mesmo que modesta, do Plano Nacional do Saneamento previsto em 2007: universalizar os serviços básicos até 2033. A média anual de investimentos do período 2010-2014 foi de R$ 10 bilhões, inferior aos R$ 15 bilhões exigidos pelo cumprimento da meta. Mantida a média, a universalização seria alcançada apenas em 2050. E O POVO, Ó! como dizia o saudoso Chico Anízio