sexta-feira, 10 de março de 2017

DRENAGEM URBANA – Parte 2




DRENAGEM URBANA - Parte 2


 


 Nosso relato tem início no remoto ano de 1962, quando foi eleito prefeito de Rondonópolis o Engenheiro Sátiro Pohol Moreira de Castilho (in memoriam), tendo administrado a cidade até 1966. 

Neste período com uma visão técnica, Sátiro investiu exclusivamente em infraestrutura de DRENAGEM, e consequentemente FOI CONDENADO NAS URNAS no pleito seguinte, porque não atendeu os anseios da população que exigia ASFALTO nas ruas da cidade, cujo mérito ficou para o seu sucessor que encontrou a infraestrutura pronta. 

E hodiernamente, assim continua…pois qualquer Prefeito que fizer uma pesquisa em sua Cidade, vai receber como resposta prioritária da população o desejo de ter a sua rua ASFALTADA. A dona de casa, que faz faxina diária, em uma rua empoeirada, esquece da saúde, segurança, escola, transporte, e só lhe vem à mente o ASFALTO. 

E não temos mais executivos com perfil do Engenheiro Sátiro, e a pavimentação da rua sai geralmente sem a infraestrutura necessária de drenagem, algumas vezes faz-se um quebra galho e pronto, pois se for fazer drenagem, encarece a obra, irá faltar recursos para mais ruas e assim vai-se fazendo o que o povo quer, e para o qual o julgamento na eleição será fundamental.



O problema somente se torna relevante no período de chuvas, onde as águas escoam superficialmente inundando ruas e calçadas, mas que são passageiras e incomodam menos que a antiga poeira das ruas de terra e lama.


Em qualquer cidade do Brasil onde não existe infraestrutura de esgotamento sanitário, o lençol freático é muito encharcado pelo mar de merda que diariamente nele é lançado.

 Imaginemos uma quadra típica de uma cidade com 25 residências, com 4 moradores por residência e um percapita de 150 l/hab./dia. Assim, somente esta quadra lança no subsolo 12.000 l/dia de água servida, ou uma média de 480 l / residência.



Nestas condições as primeiras chuvas são suficientes para saturar completamente o solo, e quando a área é impermeabilizada pelo asfalto, calçadas e quintais, temos uma grande vazão superficial que avoluma nas áreas baixas obviamente, e que devem ser dotadas de MACRO DRENAGEM, já que a micro drenagem foi suprimida. 





Assim não se pode falar em uma cidade segura contra inundações se foi suprimida a micro drenagem por galerias. 

É muito comum também na maioria das cidades, a supressão das bocas de lobo pelos moradores que se sentem incomodados com o esgoto lançado nas galerias de águas pluviais, e que se tornam sépticos e emanam odor muito forte, daí tudo o que se investiu em drenagem fica sem função, e durante as chuvas irão ocorrer as inundações das ruas.

 Daí a solução é a construção de redes de esgoto, e liberar as bocas de lobo para a drenagem superficial das vias.
 







Mas também há os casos em que, se escolhem terrenos desvalorizados, e se constroem, bairros nos fundos de vale, aí a situação da drenagem fica mais onerosa, do que construir um novo bairro e deslocar os moradores.


PORTANTO A URBANIZAÇÃO DAS CIDADES DEVE SER SEMPRE PLANEJADA EM CONJUNTO COM A DRENAGEM. 

POIS ASFALTO SEM DRENAGEM É POTENCIALIZAR OS PROBLEMAS DE INUNDAÇÕES.