quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PIADA COM PREFÁCIO


PIADA COM PREFÁCIO


Prefácio são as palavras de esclarecimento, justificação ou apresentação, que precedem o texto de uma obra literária, e até de uma piada; preâmbulo, prólogo, prelúdio, preliminar, introdução, exórdio.
Resumo: Muitas vezes temos que contar uma história para que o interlocutor entenda a nossa piada e de um sorriso legal.

A nossa história começa com uma bomba, sim uma bomba, não aquelas dos aiatolás, mas as que têm em nossa residência, para elevar a água até a caixa d´água quando a empresa responsável pelo abastecimento de água não garante a pressão mínima estabelecida nas normas técnicas, e também aquelas grandes bombas utilizadas nas empresas de saneamento.
Cada bomba construída tem a sua identidade própria, ou seja, todas as informações inerentes a sua vazão, altura de recalque, potencia, rendimento hidráulico, energia necessária na sucção, são reveladas por meio de sua CURVA CARACTERÍSTICA, representada abaixo.


Esta curva é a identidade da Bomba: zpy-123 e de posse desta CURVA é possível identificar as condições de funcionamento da bomba, comparando com os dados colhidos em campo com técnicas de medição de vazão e pressão. Esta é a mesma condição das adutoras, que a semelhança das bombas tem também a sua curva característica, que trataremos em outro texto.

Na montagem das bombas são utilizadas peças especiais de diversos materiais, como PVC, Ferro Fundido, Aço entre os principais.



Dentre estas peças da montagem, destacamos as curvas em ferro fundido com diâmetros de 25 mm a alguns metros de diâmetro, sendo que em Mato Grosso, a maior instalação de bombas para abastecimento público é da Eta Tijucal onde a adutora de água bruta possui curvas de 1.200 mm em Ferro Fundido, e com peso de 1.750 Kg. O mais comum nas instalações são curvas com diâmetros entre 100 mm a 600 mm.

A PIADA

Em uma cidadezinha do interior, o Ulisses, (Zé mané amigo do prefeito) toma posse como gerente do serviço de abastecimento de água da cidade; e como acontece nas estatais, não recebe nenhum treinamento, e vira chefe de um serviço que ele só conhecia o produto final que era a água tratada que chegava a sua casa. E para seu azar uma bomba montada em uma área vital do sistema ‘deu pau’ na sua primeira semana de trabalho. Sem problema pensa, ligo a reserva, e vou procurar socorro na capital.......pega o telefone e liga.
- Bom dia, gostaria de falar com o engenheiro responsável pela manutenção dos equipamentos aqui de nossa cidade.
(espera alguns minutos, e do outro lado atende o Dr. Pedro.
- Bom dia, qual o seu problema?
- Dr. Estamos com a Bomba de nossa captação pifada, e precisamos de socorro pois estamos funcionando precariamente a reserva, e ela pode ‘dar pau’ a qualquer hora.
(acreditando estar falando com o chefe anterior, responde)
- Positivo, temos algumas bombas no estoque, e para selecionar uma que possa atender as condições locais, preciso que você me envie a curva desta bomba, que esta com problema.
- Ok, Dr. Vou amanhã à capital e posso levar pessoalmente.

No dia seguinte:

- Bom dia Dr., Sou o Ulisses da cidade de politicalha, que te ligou ontem.
- Sim estou sabendo, trouxe a curva da bomba que lhe pedi?
- trouxe sim Dr. deu um trabalhão danado, tivemos que trabalhar a noite toda, ta lá no caminhão, precisa de dois homens para carregá-la.

SORRIA.............

(O cabeça de bagre, desmontou a tubulação e trouxe a curva de ferro usada na montagem, ele ainda não sabia que a sua bomba tinha identidade, e que esta estava no arquivo de cadastro dos equipamentos)

Já vi cada uma, mas lavar filtro com pé de galinha, esta é demais..........

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESGOTAMENTO SANITÁRIO DE CUIABÁ

Este texto foi escrito em 1.983, e datilografado em uma máquina Olivetti nas dependências da saudosa Gercap (Gerencia da Capital) sediada no bairro do Porto, próximo a feira municipal. O objetivo na época foi uma publicação no Jorsan (Jornal da Sanemat). A maior motivação era questionar os investimentos em esgoto quando não tínhamos universalizado o abastecimento de água na cidade de Cuiabá. Nesta época discutia-mos o projeto da atual Ete Zanildo Costa Macedo, e não vislumbravá-mos um PAC do esgoto, e a cidade crescia exigindo investimentos em água. Porém como crônica informativa o assunto continua atual............vaia nos Homens, e viva aos Peixes, o Rio Cuiabá e as Bactérias, pois confesso que ao encontrar este texto em meus arquivos, e relendo-o verifiquei que o assunto é mais latente que antes, a história é a mesma, evoluímos muito pouco ou quase nada.



PARTE 1 - O HOMEM, OS PEIXES, O RIO CUIABÁ, E AS BACTÉRIAS.

Durante muito tempo tivemos a oportunidade de observar a oscilação do tema Esgotamento Sanitário e dependendo do Emissor o assunto ganha as páginas dos jornais e os minutos preciosos da TV, com conotações catastróficas para os habitantes do rio e para a população cuiabana; são pontos de vista apoiados em um tema onde o desconhecimento fomenta a criatividade e a imaginação na sua abordagem, gerando hipóteses sem nenhum embasamento Científico; e para tentar-mos eliminar alguns paradigmas inerentes ao assunto, recordaremos inicialmente alguns aspectos biológicos relacionado com a questão.
O Meio Ambiente abriga três formas de vida em função da temperatura reinante. São elas; a vida latente, oscilante e continua os peixes se enquadram no grupo de vida oscilante, visto que, suportam até -15°C, são animais de sangue frio ou heterotermos; nós ao contrário para curtir-mos um calorzinho cuiabano e um friozinho da Chapada dos Guimarães, estamos enquadrados no grupo de vida contínua (de sangue quente) ou homeotermos.
Agora se o assunto é Oxigênio no Meio Ambiente a vida pode ser Aeróbica ou Anaeróbica, ou seja, os seres vivos podem na presença de oxigênio ou intoxicar-se e morrer, ou viver de forma saudável.

O oxigênio pode estar presente tanto na Atmosfera que é o oxigênio que respiramos, ou em meio líquido nos rios e lagos, do qual os peixes respiram, somos portanto de vida Aeróbica a mesma dos peixes, só que cada um a sua moda e no seu habitat; um retira o oxigênio que precisa do ar e o outro da água; e finalmente no que concerne à Alimentação, os seres vivos podem ser Autótrofos e Heterótrofos, os primeiros sintetizam a matéria orgânica que precisam através da fotossíntese ou através da Quimiossintese, onde a matéria orgânica é sintetizada usando a energia da oxidação de matérias inorgânicas realizado por Nitrobactérias e Ferrobactérias. Neste quesito nós e os peixes somos da família dos heterótrofos. Distinguem-se ainda nos seres heterótrofos aqueles que retiram a matéria orgânica que precisam de organismos mortos que são os Saprófitas e aqueles que retiram alimentos de organismos vivos que são denominados Parasitas.
Importante é ainda destacar a relação entre os seres vivos de mesma espécie que se aglutinam em Colônias ou Sociedade; no primeiro caso os indivíduos só podem viver juntos, onde o exemplo mais comum é o das bactérias e no segundo caso, a aglutinação ocorre apenas pelo instinto de associação que pode ser Individualista como nos cardumes, rebanhos e manadas, e Coletivistas como as abelhas, formiga e cupins.
Vamos considerar os três agrupamentos de vida que irão interagir-se quando o Assunto é o Esgoto Doméstico, são eles:

a) - O homem;
b) - Os peixes e seu meio ambiente (O Rio Cuiabá);
c) - As colônias de bactérias.

O Homem, os Peixes e o Rio já são nossos velhos conhecidos, sendo possível vê-los diariamente e avalia-los de várias formas. Resta, portanto as famosas Bactérias Coliformes, sim famosas, está em todos os bate papos, todos falam a seu respeito, e apenas uns poucos tiveram o “privilégio” de vê-las e entende-Ias vamos, portanto tentar desvendar este mistério.


OS COLIFORMES - ESSES DESCONHECIDOS

Para iniciar-mos neste novo mundo desconhecido, vamos primeiro saber o que é um Coliforme?

Em termos bem práticos, definimos Coliformes como sendo toda bactéria capaz de fermentar e produzir gás em 48h e a 37°C quando semeada em caldo lactosado em condições aeróbicas. As bactérias do grupo coliformes são divididas pelos sanitaristas em duas espécies:

- Escherichia Coli (fecal); e
- Aerobacter Aerogenes (do solo).

Estudos demonstram que:

Menos de 4% do Grupo dos Coliformes Fecais (Escherichia Coli) são patogênicos, ou seja, são capazes de produzir doenças.

É desaconselhável a fixação de uma proporção entre coliformes totais e fecais.

‘Se não estiver ocorrendo nenhum caso de diarréia infantil a variedade patogênica é de 0% (zero por cento)

Não existe nenhuma relação entre um elevado número de coliformes e casos de doenças devido ao banho em águas poluídas.

Comparado com os riscos possíveis como queimaduras de sol, intoxicação alimentar com ingestão de peixes deteriorados. “A ocorrência de contrair doenças através de banhos em águas poluídas” é insignificante a menos que surjam evidencias epidemiológicas.

No existe nenhum relato em que o banho em águas do mar contaminadas por esgoto consiste em sério risco para a saúde.

Quando falamos em Poluição de um rio, devemos nos posicionar na escolha do ângulo sob o qual o problema é encarado. A Poluição é uma espécie de monstro de muitas caras, e o especialista, ao enfrentá-lo vê somente uma dessas caras de acordo com a posição em que se coloca, ou dos objetivos que tem em vista. Daí os desentendimentos entre ecologistas, piscicultores, sanitaristas, políticos e o cidadão comum. Para o cidadão comum, a água poluída é aquela que se apresenta Suja, pela presença de substâncias putrefatas e mal cheirosas, prevalece no seu conceito o aspecto estético da água, este cidadão não concebe a possibilidade de uma água limpa, transparente e fresca estar poluída. Matar peixes, e produzir nuvens de pernilongos, assim como não concebe que uma água colorida, com sabor desagradável e opaco não esteja poluída e não ser nociva á saúde.
Os sanitaristas estão impregnados pelo conceito de poluição ligado à transmissão de doenças. Relacionam o índice de coliformes à presença de elementos tóxicos, e tudo que prejudica as qualidades estéticas da água são seus inimigos mais visados, e quando o assunto é tratamento de esgoto, os seus objetivos imediatos são a eliminações total de bactérias e a estabilização total da matéria orgânica, pois ao ser lançado no rio, poderá alterar suas características de potabilidade com produção de sabor, odor e redução de oxigênio.
Ao Piscicultor, nem o sabor, nem o odor, nem a cor e nem o número de coliformes constituem valores negativos á qualidade da água, e portanto não podem ser tomados como denunciadores de poluição. Uma intensa cor verde e repugnante para quem bebe a água é até desejável, pois isto é devido ao Plâncton que é alimento básico dos peixes. Ao contrário do sanitarista que tem pavor dos sais de nitrogênio e fósforo, porque favorecem o desenvolvimento de algas, o piscicultor costuma, na prática ‘adubar` as águas com nitratos e fosfatos e com excrementos de aves e bovinos, para ele, água poluída é a que possui pouco oxigênio, ou substância tóxica para os peixes.

A matéria orgânica somente é nociva quando “rouba” excessivamente o oxiqênio dos Rios e Lagos, enquanto que é mais nocivo o zinco dos revestimentos de canos galvanizados, o cobre que os sanitaristas controlam as algas e o cloro que é lançado no rio e que mata a alimentação dos peixes e até o próprio peixe.
O ecologista entende como poluição toda alteração de natureza física, química, biológica e hidrológica que desequilibra o ciclo biológico normal, contribuindo para alterar a composição Faunistica e Floristica do meio. Este conceito não tem um objetivo prático e não visa a proteção da água no sentido de uma reutilização qualquer, não leva ainda em consideração as preferências ou a saúde do homem.
Para o ecologista, a introdução de uma água cristalina e com muito oxigênio, em um rio pantanoso, pobre em oxigênio e rico em metana constitui poluição, uma vez que o oxigênio em excesso destruirá a flora anaeróbica produtora de metana e outras consequências, alterando o ciclo biológico natural; seria o caso de poluição de um rio não poluído por outro rio não poluído.

Concluímos, portanto que:

· Água Poluída não é Sinônimo de água suja

· A poluição é fenômeno que ocorre também em águas de boas características estéticas.

· A poluição pode não existir em águas que nos apresenta com péssimas características estéticas.


Em nossas considerações sobre o esgoto doméstico dado as circunstâncias do meio prático envolvendo o homem o rio e os peixes, definimos, Poluição como qualquer alteração Ecológica ou desequilibro Biológico que tenha como conseqüência a destruição ou impossibilidade de criação de peixes e que comprometa a utilização das águas para fins de recreio e uso sanitário para abastecimento público.

Quando se introduz substâncias e organismos nocivos no meio denominaremos contaminação. Assim quando ocorre o lançamento de fezes com o vírus da Cólera o meio líquido ficou Contaminado com este elemento estranho ao meio.

Quando se trata de esgotos sanitários devemos considerar como principais elementos poluidores do rio os seguintes parâmetros:

a) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) - Este é o principal parâmetro de medida de poluição de um rio, e representa a capacidade que a carga orgânica de esgoto tem de consumir o oxigênio do meio líquido onde é lançado.

b) Sólidos Decantáveis (SD) - Representa a capacidade de assoreamento do rio pela quantidade de sólidos que se decanta e é trazido pelo efluente de esgoto.

c) Sólidos em Suspensão Total (SST) - Representa a capacidade do esgoto de alterar a turbidez do rio, prejudicando os processos biológicos de fotossíntese ou de consumir o oxigênio do mesmo se os sólidos em suspensão forem de materiais voláteis.

e) Nutrientes (sob a forma de Nitrogênio (NO3) ou Fósforo (PO4) - Estes nutrientes em doses elevadas acarretam um crescimento desequilibrado de seres produtores de uma cadeia alimentar causando o processo de Eutrofização. O número de coliformes encontrados no rio não guarda nenhuma correlação com estes parâmetros indicadores de Poluição e muito menos de Contaminação, portanto fazer diagnósticos utilizando apenas, coliformes como indicador de poluição deve ser reconsiderada, pois a existência de coliformes indica apenas que existe um despejo orgânico, não estéril, e estranho ao corpo receptor.

Mas afinal para que servem estes agora conhecidos coliformes?

Onde houver presença de animais de sangue quente existirá a presença de coliformes, sendo que a qualidade do ambiente onde vive estes animais pode ser aferida com a utilização da medição de coliformes que se torna a principal função dos mesmos, ou seja, a de Controle de Qualidade do Ambiente.

Em qualquer levantamento sanitário de um corpo receptor, sempre que neste corpo receptor houver a contribuição de despejos orgânicos não estéreis, invariavelmente o número de coliformes se alterará, denunciando a presença destes despejos. Deve-se analisar a partir desta informação se o despejo é ou não prejudicial ao corpo receptor. Se o despejo for o efluente de uma lagoa ou estação de tratamento de Esgoto o número elevado ou não de coliformes não tem o menor significado em termos de “Poluição“.
Os coliformes podem ainda ser utilizados para a modelagem de rios quanto a qualidade da água, e na medição do Parâmetro T-90, que corresponde ao tempo necessário para que 90% das bactérias seja inativada pelas condições adversas encontradas na massa liquida. A medição de coliformes deve ainda ser utilizada para checar as estações de tratamento de esgoto quanto ao comportamento da população bacteriana, definindo a eficiência da estação.
Conclui-se, portanto que não existindo nenhuma correlação entre coliformes e os parâmetros indicadores de poluição, estes devem ser medidos apenas para detectar que existe o despejo ( poluidor ou não), estranho a natureza do corpo receptor.

Quando o assunto é contaminação, os coliformes têm ainda menores possibilidades de serem considerados como indicadores. Porém as facilidades de sua análise e o seu agrado pela maioria dos sanitaristas, têm acarretado prejuízos, a programas de recreações aquáticas e gastos em Projetos e Construções de unidades de tratamento desnecessárias, assim como tem impedido Programas de Pesquisas de verdadeiros e confiáveis indicadores de Contaminação e Poluição. É tempo de mudar.

E viva os Coliformes.


PARTE 2 – O PODER DO RIO

O esgoto bruto gerado na cidade pode ser oriundo basicamente de uma das seguintes fontes:

- Origem fecal;
- Lavagem de domicílios, hospitais, escolas, restaurantes, hotéis...
- Águas de chuva;
- Poeiras;
- Fertilizantes;
- Pesticidas de jardins; hortas
- Óleos e graxas;
- Indústrias (farmácia, papel, carne).
- etc.

A exemplo do lixo interessa a cada cidadão descarta-lo o mais distante de sua residência, afinal, o esgoto é um subproduto nauseante. Para resolver este problema a solução mais comum é a sua coleta em uma fossa onde os sólidos são retidos e ocorre a infiltração do resíduo líquido no solo através de sumidouros; este sistema consiste em soluções individuais e até coletivas de Fossas e Sumidouros cuja construção é de domínio popular.
Nos aglomerados urbanos com alta densidade e em regiões de baixa capacidade de infiltração no solo, este fica saturado e o esgoto aflora, gerando uma condição insalubre. A solução adotada, portanto é a de coleta do efluente das fossas e o seu lançamento em um curso dágua; Ao ser lançado no rio o esgoto ”agride” o meio ambiente aquático que “reage“ buscando auto depurar-se, assim é possível reconhecer quatro zonas distintas, ao longo do curso d’água que recebe forte contribuição de esgoto, que são:

- Zona de degradação;
- Zona de decomposição ativa;
- Zona de recuperação;
- Zona de águas limpas.

A Zona de Degradação - ou primeiro estágio de impacto entre o esgoto e o rio, caracteriza-se por uma água turva de cor acinzentada com depósito de sólidos que atrai uma densidade muito grande de peixes em busca de alimentos. Neste estágio ocorre a proliferação bacteriana constituída de bactérias aeróbicas que se alimentam da matéria orgânica utilizada para sua oxidação.
O oxigênio dissolvido (02) nesta zona reduz a 40% de saturação, e o gás carbônico se eleva, assim como o teor de compostos nitrogenados e de amônia.
A DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) ou o poder do esgoto em retirar oxigënio do rio, atinge o pico máximo neste ponto de lançamento, decrescendo em seguida; em contrapartida as algas são raras por falta de luz cuja penetração é dificultada pela turbidez elevada, e pela presença de substâncias tóxicas e falta de oxigênio á noite. Este ambiente é propicio ainda para que as bactérias do grupo coliformes, as de vida livre no esgoto, os fungos e protozoários, principalmente os ciliados atinjam o auge de desenvolvimento.
A fase seguinte, é caracterizada como Zona de Decomposiçào Ativa.

Esta zona é reconhecida apenas quando ocorre forte carga de esgoto e caracteriza-se por apresentar uma acentuada cor cinza com depósito de Iodos escuros no fundo e ativo mau cheiro. Na parte média da zona de decomposição ativa o oxigênio pode ser integralmente consumido pelas bactérias, fungos e outros organismos aeróbicos instalando-se, portanto condições de Anaerobiose (falta de oxigênio) em toda massa d’água nos pontos de maior concentração de Iodo orgânico. Com o desaparecimento da vida aeróbica, surge em seu lugar uma flora e fauna com respiração intramolecular, ao que da origem ao desprendimento de bolhas contendo gases como metano, gás sulfídrico, mercaptanas etc., que são responsáveis pelo mau cheiro do ambiente séptico. Nesta zona observa-se ainda:

· - O nitrogênio ainda é encontrado em grandes quantidades na forma orgânica com predominância de amônia iniciando sua oxidação em nitritos.

· - As bactérias coliformes diminuem rapidamente no decorrer desta zona principalmente as patogênicas e fecais em geral devido à presença de bacteriófagos que parasitam as bactérias.

· - A água limpa é o maior antisséptico contra as bactérias, matando-as rapidamente.

· - Nesta região os bacteriófagos destroem os bacilos desentéricos, tifícos, paratificos, além do escheria colil. Nesta depuração bacteriana pelos bacteriófagos surgem outros aliados como a luz e a precipitação de partículas que são arrastadas para o fundo, bem como a ausência de nutrientes para as bactérias de vida livre.

· - Ocorre ainda uma elevação de protozoários, vermes tubeficídios e larvas de insetos resistentes a falta de oxigênio tais como os sirfídios e quironomídeos.

A terceira zona de auto depuração do rio é a zona de recuperação ativa que se inicia quando o teor de oxigênio dissolvido atinge 40% de saturação até o seu valor normal. Ocorre a medida que a matéria orgânica se oxida e a DBO se reduz havendo em conseqüência um saldo de oxigênio introduzido pela atmosfera na superfície líquida, e por organismos fotossintetizantes que já proliferam com vigor nesta zona. Observa-se ainda:

· - As águas clareiam e os depósitos no fundo já são mais graúdos, não havendo presença de gás nem mau cheiro.

· - Entre os compostos de nitrogênio predominam os mais oxidados como nitritos e nitratos porém pode ainda ser encontrados amônia.

· - Esta zona é de alta mineralização.

· - Com a oxidação do nitrogênio, fósforo e enxofre são gerados substâncias estáveis como fosfatos e sulfatos que provocam uma intensa fertilização do meio possibilitando um grande desenvolvimento de vegetais fotossintetizantes como algas e outras plantas garantindo a alimentação adequada de toda série de animais que habitam a água doce.

· - As bactérias se reduzem assim como os protozoários que se alimentam destas.

· - Surgem as algas em intensa reprodução, primeiras as azuis na superfície e margens depois as flageladas verdes.

· - Os rotiferos e microcustáceos têm o seu máximo desenvolvimento.

· - Grande número de larvas de quironomídeos além de moluscos e muitos vermes desenvolvem-se em grandes quantidades servindo de alimentos aos peixes mais tolerantes que começam a aparecer.


E finalmente fechando o circuito de autodepuração do rio, surge a Zona de Água Limpa, onde o rio atinge as condições originais de oxigênio dissolvido, DBO, e índices bacteriológicos antes do lançamento. Estas águas devido ao processo de auto depuração tornam-se mais férteis que antes de receberem o esgoto, aumentando portanto a sua produtividade dando origem a fenômenos de floração e superpopulação de algas que conduz a uma supersaturação de oxigênio (02), havendo ainda a predominância de compostos minerais completamente oxidados e estáveis.
Nesta zona as algas alimentam os protozoários, estes os rotiferos, crustáceos e larvas de insetos dos quais se alimentam os peixes.

É Restabelecido Portanto o Ciclo Biodinâmico Normal do Manancial.

Concluímos, portanto que o rio aceita o lançamento de esgoto bruto, exige apenas que as condições a seguir sejam observadas:

· a) - O lançamento doméstico seja inerte PH variando de 5 a 9 o que representa o retorno das águas de abastecimento público.

· b) - Temperatura ambiente menor que 400 a 500 C.

· c) - Baixo teor de sólidos sedimentáveis (menor que 1 mililitro).

· d) - Vazão inferior a 50% do manancial.

· e) - Teor de óleos minerais menores que 20 mg I litro

· f) - Teor de óleos vegetais e gorduras animais menores que 50 mg I litro

· g) - Ausência de sólidos em suspensão
.
Observando as condições de auto depuração do rio recomenda-se a manutenção de lançamentos isolados isto é, deve-se evitar grandes concentrações pontuais. Contribuindo para que o ciclo de autodepuração ocorra em uma distância relativamente pequena. E às vezes imperceptível aos desavisados.

E Viva o Rio.


PARTE 3 – O PODER DO HOMEM

Buscando garantir uma excelente qualidade ao rio o homem desenvolve tecnologias para o tratamento dos esgotos das cidades e impõe regras severas de lançamentos e de qualidade das águas que supera a sua capacidade de cumpri-Ias, exigindo para tal fim um volume de recursos em alguns casos incompatíveis com os benefícios gerados ao meio ambiente.
Ao rio foi atribuída uma classificação definida pela presença de coliformes, DBO, turbidez, cor, PH e 0D. Assim as águas de classe especial não devem ter nenhum teor de coliformes isto é, compara-se com as águas efluentes das estações de tratamento. E as demais com a deteriorização dos índices são classificados em classe II, III, IV, e fundamentados apenas na concentração de coliformes no ponto de lançamento alardea-se a necessidade de tratamentos onerosos sem levar em consideração a capacidade de autodepuração do rio. E obviamente a tolerância de esgoto que o mesmo pode receber. Os custos que envolvem um sistema de tratamento são muito elevados e, portanto devem ser Aplicados Nos Limites Da Necessidade, não podemos ser sentimentalistas com o rio, temos sim que adequar o tratamento em função de estudos despojados de fisiologismos e apoiados na técnica, buscando a racionalidade; assim o dimensionamento da Estação de Tratamento de Esgoto Sanitário deverá contemplar, alguns dos seguintes processos

· Tratamento Preliminar: Onde serão retirados do esgoto os sólidos grosseiros, como lixo e areia, por meio de processo físico de gradeamento e desarenador.

· Tratamento Primário: Propiciará a redução de parte da matéria orgânica presente no esgoto, removendo os sólidos em suspensão sedimentáveis e sólidos flutuantes. A remoção poderá ser por meio de processo físico de decantação em Reator Anaeróbico de Fluxo Ascendente, e o lodo resultante ser retirado do fundo do RALF, através de tubulações e encaminhado aos Leitos de Secagem. Sendo que a parte líquida deverá ser recirculada para o RALF.

· Tratamento Secundário: Removerá a matéria orgânica e os sólidos em suspensão, por meio de processos biológicos, utilizando reações bioquímicas, através de microorganismos – bactérias aeróbias, facultativas, protozoários e fungos. No processo anaeróbio os microorganismos presentes nos esgotos se alimentam da matéria orgânica ali também presente, convertendo-a em gás carbônico, água e material celular. Esta decomposição biológica do material orgânico requer a ausência de oxigênio e outras condições ambientais adequadas como temperatura, pH , tempo de contato etc. Para esta fase de tratamento poderá ser projetado um Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB) – Onde a biomassa cresce dispersa no meio e não aderida como nos filtros. Esta biomassa, ao crescer, forma pequenos grânulos, que por sua vez, tendem a servir de meio suporte para outras bactérias. O fluxo do líquido é ascendente e são formados gases – metano e gás carbônico, resultantes do processo de fermentação anaeróbia.

· Tratamento Terciário: Nesta fase serão removidos poluentes específicos (micronutrientes e patogênicos), além de outros poluentes não retidos nos tratamentos primário e secundário. Resultando em um tratamento de qualidade superior para os esgotos. Neste tratamento removem-se compostos como nitrogênio e fósforo, além da remoção completa da matéria orgânica. O processo de tratamento poderá ser por meio de Filtros Anaeróbicos, e polimento final com Wetlands construídas, que conferirá ao efluente final, total ausência de sólidos em suspensão e microorganismos patogênicos.

· Tratamento do lodo: Todos os processos de tratamento de esgoto resultam em subprodutos: o material gradeado, areia, escuma lodo primário e lodo secundário, poderão ser tratados para serem lançados no meio ambiente. O processo consiste na desidratação para remover a umidade, com redução do volume, em leitos de secagem.

· Controle Sanitário
O controle sanitário deverá ser feito mediante analises especificas, em laboratório a ser construído junto a planta de tratamento.

A seleção do método deve ainda estar apoiada na capacidade de manutenção com tecnologia e mão de obra local. Em geral as decisões do tratamento são predominantemente apoiadas pelos enfoques da mídia que exploram de forma sensacionalista o aspecto estético do lançamento, que na maioria dos casos se limitam a ocorrer na zona de degradação, onde o visual desagradável não representa nenhum prejuízo ao meio ambiente. E a confusão se instala quando ocorre a presença de organismos patogênicos no rio, visto que esta situação indica muito mais um problema de Saúde Pública do que de saneamento, tendo em vista que para que seja acusada sua presença é necessário que exista um portador na população contribuinte, como ocorreu com o vibrião colérico; que tem a sua transmissão primária pela ingestão de águas contaminadas por fezes ou vômitos e secundariamente pela ingestão de alimentos contaminados, mãos sujas e moscas, ou seja, problemas típicos de saúde pública e de praticas higiênicas simples e individuais.
È muito mais útil o investimento em tratamento de água e apenas a coleta e afastamento dos esgotos do que o seu tratamento mal planejado, porém quando este é exigido pelas condições ambientais deve-se definir o grau de tratamento em função da capacidade de autodepuração do rio, O rio é um aliado no processo, e alguns preciosismos no tratamento, como a cloração de efluentes com lançamentos imediatos no corpo receptor são muito mais maléficos às condições de vida do rio, do que o lançamento do esgoto bruto doméstico.

E apupos aos homens.

Jorcy Francisco de França Aguiar
Eng° Civil – CREA 874 I D – MT.