segunda-feira, 23 de janeiro de 2017



ESGOTO DE TEMPO SECO – PARTE 2

COLETA DE ESGOTO NO BRASIL:



  • ·         48,6% da população têm acesso à coleta de esgoto.
  • ·         Mais de 100 Milhões de brasileiros não tem acesso a este serviço.
  • ·         Mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis.
  • ·         Mais da metade das escolas brasileiras não tem acesso à coleta de esgotos.
  • ·         47% das obras de esgoto do PAC, monitoradas há 6 anos, estão em situação inadequada. Apenas 39% de lá para cá foram concluídas e, hoje, 12% se encontram em situação normal.
  • ·         Cerca de 450 mil pessoas nos 15 municípios paulistas têm disponíveis os serviços de coleta dos esgotos, porém não estão ligados às redes, e, portanto, despejam seus esgotos de forma inadequada no meio ambiente.
Fontes:
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2014)
Estudo Trata Brasil “Ociosidade das Redes de Esgoto – 2015”
Censo Escolar 2014


ENTRE AS 100 MAIORES CIDADES BRASILEIRAS, APENAS 10 DELAS TRATAM ACIMA DE 80% DE SEUS ESGOTOS.

ASSIM DIANTE DESTE QUADRO, TODA INICIATIVA É FUNDAMENTAL PARA EVITAR A POLUIÇÃO DO RIOS.

E uma delas é a coleta de esgoto de tempo seco, por meio das galerias já existentes. Deve-se salientar que esta é uma medida preliminar, até que se tenha recursos financeiros para se construir um sistema definitivo denominado separador absoluto.
Assim em condições normais, todo esgoto concentrado nos canais são derivados para uma Estação de Tratamento, e quando chove o esgoto muito diluído é direcionado ao rio.
Em Cuiabá, o Rio recebe uma carga de esgoto oriunda de 04 córregos, que transformaram-se em canal de drenagem, e coletor tronco de esgotos domésticos. São eles:
·         CANAL DO MANÉ PINTO
·         CANAL DA PRAINHA
·         CANAL DO GAMBÁ e
·         CANAL DO BARBADO

A PRIMEIRA INICIATIVA de TRATAMENTO DE ESGOTO da região central da cidade de Cuiabá, ocorreu na década de 80, com a construção da Estação de Tratamento no bairro Dom Aquino, denominada ETE Zanildo da Costa Macedo. Junto com esta ETE diversas bacias tiveram a implantação de redes coletoras, estando atualmente algumas destas redes totalmente deterioradas.

A ETE, ficou inconclusa até a data atual (2017), principalmente no que tange ao tratamento do lodo, que já no início de operação teve uma grande quantidade de equipamentos roubados.
 




                                                          ETE ZANILDO DA COSTA MACEDO
                                  Localização da ETE: Bairro Dom Aquino 


A ULTIMA INICIATIVA, é datada da década de 90 e teve como proposta transportar o esgoto concentrado no canal do Mané Pinto e da Prainha para a ETE.

RESUMO DO PROJETO

 



  1 – Canal do Mané Pinto

 Durante o período de estiagem, todo esgoto do canal do Mané Pinto, seria derivado para um coletor tronco por gravidade, que conduziria este esgoto até a Estação Elevatória da Prainha, e desta para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Quando ocorresse uma chuva, remotamente seria enviado um comando para as válvulas, e estas abririam, dando passagem plena do esgoto diluído para o Rio Cuiabá.

Porém por negligencias operacionais, as válvulas eram rotineiramente abertas por “Pescadores” que precisavam que o esgoto chegasse ao rio, para fomentar o acumulo de peixes principalmente a Papa Terra, ou Curimbatá, que tinham ali um rico ceveiro.

Da Estação de Derivação do canal, o esgoto era conduzido até a Elevatória da Prainha, por meio de um coletor tronco de ferro fundido 600 mm.

Atualmente tanto a estação de derivação como o coletor foram desativados.




2 – Canal da Prainha

  Na foz do canal da Prainha, foi construído uma Estação de Derivação semelhante ao do Mané Pinto, porém junto com esta derivação foi construído uma Elevatória para transportar todo esgoto vindo do mané Pinto assim como da Prainha para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). 


Durante o período de estiagem todo esgoto do canal da prainha era derivado para a elevatória, e quando ocorresse chuva, válvulas comandadas remotamente fechavam a derivação deixando o canal livre para condução do esgoto diluído.

Atualmente esta estação elevatória encontra-se Paralisada.


                                                  Estação Elevatória de Esgoto da Prainha


O que minimiza o aspecto visual do lançamento do esgoto destes dois importantes coletores tronco de esgoto do centro da capital, é a vazão do Rio Cuiabá após a construção da Barragem do Manso que “contratualmente” deve ser mantido em um mínimo de 100 m³/s. 

Antes deste período o Rio Cuiabá com uma vazão que já atingiu uma mínima de 65 m³/s apresentava uma poluição visual tanto na foz da Prainha como do Mané Pinto, com formação de extensa nuvem de espuma, cujo fenômeno era frequente na região do porto e estava associado à baixa vazão do rio e a presença de esgoto doméstico não tratado. A falta de oxigênio da água dificulta a degradação do detergente doméstico.

AUFA de Curimba  
(Para alegria dos "Pescadores", sem precisar abrir nenhuma válvula)