terça-feira, 29 de dezembro de 2009

UMA VISÃO DO RIO CUIABÁ

Parte 1 – Nível de Água do Rio Cuiabá de 1.966 a 2.008 – Cinco décadas

Para um resgate histórico do comportamento do Rio Cuiabá, buscamos as informações da Agência Nacional de Águas – ANA - Superintendência de Gestão da Rede Hidrometeorológica – SGH –por meio da Coordenadoria do Grupo de Validação dos Dados Hidrometeorológicos – GEINF cujos dados foram tabulados de forma a visualizar o comportamento da variação do nível do Rio Cuiabá na estação Rosário Oeste; onde destacamos os principais eventos durante um período de cinco décadas, dados em cm.

Período: Mínima Máxima

1.966 a 1.970 39 725

Data: 13-09-67 12-02-66

1.971 a 1.980 40 800

Data: 20-09-71 13-03-74

1.981 a 1.990 50 741

Data: 11-09-86 11-01-88

1.991 a 2.000 23 846

Data: 02-02-99 11-01-95

2.001 a 2.008 49 680

Data: 10-02-01 12-01-02

Neste período o Rio Cuiabá flutuou entre um nível mínimo de 23 cm em fevereiro de 1.999 e um nível máximo de 846 cm, em janeiro de 1.995, ou seja, o Rio possui uma elevada diferença entre o seu nível em período de estiagem e durante o período de cheia, sendo a predominância nos meses de setembro para as mínimas, e janeiro para as máximas. Esta é uma condição muito importante que deve ser considerada na elaboração de projetos de engenharia nas margens deste importante rio que banha as Localidades de Rosário Oeste, Acorizal, Guia, Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antonio do leverger, e Barão de Melgaço.

Um dos principais efeitos desta variação está associado com a mudança do perfil longitudinal e transversal do Rio, por meio dos assoreamentos e erosões de barrancos com uma formação geográfica sempre diferente a cada enchente do Rio, e este efeito pode ser visualizada por meio das obras da extinta empresa de saneamento do estado de mato grosso – Sanemat; hoje administradas pela Sanecap e DAE Várzea Grande, conforme os registros visualizados a seguir:



Captação do Porto:

Esta captação foi a primeira construída no Rio Cuiabá, pela empresa EFLA – Empresa de Força Luz e Água do Estado de Mato Grosso, e está localizada próximo a feira do porto, tratava-se de uma captação que funcionava com bombas de eixo horizontal em poço seco transportando água bruta para a estação de tratamento localizada na rua Presidente Marques, hoje Eta 1, junto ao memorial José Luiz de Borges Garcia. Este complexo foi abandonado na década de 70, pois com a mobilidade do Rio, houve um “espraiamento” causando em conseqüência uma modificação na cota de mínima, impossibilitando assim a utilização de sucção positiva em decorrência da redução da submergencia necessária, a solução encontrada foi a utilização de flutuadores, que são mantidos até a data atual.

Captação de Várzea Grande

Na década de 60 a captação de Várzea Grande era semelhante a de Cuiabá, exceto a tomada que se fazia por uma tubulação que alimentava o poço de sucção. Esta captação devido a mobilidade do Rio, ficou em uma área atingida apenas nos períodos de cheia, e consequentemente teve que ser abandonada, e substituída por uma tomada direta no rio por meio de tubulões.


A captação construída pelo sistema de tubulão resistiu até o ano de 2.008, quando o DAE VG, projetou e construiu um novo lance de tubulões, objetivando ampliar a vida útil desta captação, que em períodos de estiagem exigia a instalação de bombas sobre flutuadores, buscando garantir a submergencia necessária para operação das bombas.

Estes registros mostram com clareza o comportamento do rio ao longo destas cinco décadas, e reserva surpresas com os seus picos de estiagem e enchentes. Assim as obras de engenharia devem ser planejadas de modo que possam ser operadas em qualquer época do ano, e com vida útil garantida em qualquer situação de nível.

Parte 2 – Vazão do Rio Cuiabá de 1.966 a 2.008 – Cinco décadas

Com a urbanização das cidades, a contenção de margens impede que o rio provoque mudanças naturais no seu leito por meio de erosão de margens; porem a ação de dragagens provoca uma constante mutação da área do perfil transversal do rio com o aprofundamento de canais, assim como o aumento do assoreamento decorrente do maior nível de desmatamentos em sua área de contribuição. A soma destes dois fatores como elementos fundamentais provocam “espraiamentos” e direcionamentos de fluxo com comportamentos hidráulicos atípicos. Assim o rio Cuiabá apresenta diversas formações do seu perfil em função do trecho que flui, e a semelhança de todos os canais fluviais apresenta ao longo de seu perfil longitudinal, uma distinção entre seus vários segmentos, comprovando assim a dinamicidade do sistema. O perfil longitudinal de um rio sofre contínuas alterações, devido às variações no escoamento e na carga sólida, o que acarreta muitas irregularidades no seu leito como as corredeiras e as depressões. Ao longo do canal, o rio tenta eliminar essas irregularidades, na tentativa de adquirir um perfil longitudinal côncavo e liso, com declividade suficiente para transportar a sua carga. Outros fatores influenciam no perfil longitudinal tais como a confluência de tributários, as variações na resistência à erosão do substrato rochoso, a erosão remontante por mudança brusca em nível de base à jusante ou ainda as deformações neotectônicas locais ou na bacia de contribuição.

Normalmente, os rios ao longo de seu curso possuem vários segmentos, trechos em equilíbrio (ajustados) e em desequilíbrio (desajustados). Neste contexto, os trechos em equilíbrio apresentam inclinações suaves e constantes no perfil longitudinal, já os trechos em

desajustes apresentam irregularidades ou mesmo deformações em seu traçado. Concluímos, portanto que a cada trecho do Rio temos um perfil único, e com formato em função das características de sua margem, e com uma área única medida em m2 (metro quadrado):

E com beleza impar, o Rio Cuiabá flui rumo ao pantanal, e a sua velocidade muda em função dos trechos em que percorre, dependente da sua declividade, e da largura dos canais fluviais. Quanto maior a declividade, maior será a velocidade de escoamento; Concluímos portanto que o Rio possui velocidades variáveis em função do trecho que percorre.

Já podemos então falar de Vazão, o que é?

Vazão (Q), do Rio Cuiabá, é a quantidade de água em volume (m3), que flui em uma unidade de tempo, geralmente avaliado em segundo, ou horas, assim temos a vazão expressa em m3/segundo, ou m3/hora. A vazão do Rio corresponde ao produto da área da secção do rio em m2, pela sua velocidade em m/s. ou seja a vazão é igual ao produto da área pela velocidade (Q=A x V), esta equação é denominada equação da continuidade, ou seja não havendo contribuição ou retirada de água em um trecho do Rio, as mudanças do seu perfil transversal são acompanhadas da mudança da velocidade, mantendo assim constante a vazão no trecho inicial e final. Assim concluímos que pela dinamicidade do rio, este se apresenta em alguns trechos com elevada variação de nível, e somente podemos avaliar se o mesmo está “secando” se calcular-mos a sua vazão; que é a única variável que expressa quantidade de água, assim em 2.009 o Rio Cuiabá, pode estar com um nível muito baixo na régua do porto, em comparação com 1.964, e nem por isto pode estar com uma quantidade de água menor.


Assim recorrendo a um estudo que registra a vazão média do Rio Cuiabá de 1.962 a a.999, podemos verificar que a menor “seca” do Rio ocorreu antes do desenvolvimento da Cidade, ou seja, 1.964 e 1.969. e que as grandes cheias “grandes volumes de água” ocorreram no período de 1.979 e 1.998. Nesta análise, portanto devemos imaginar a potencialidade de grandes cheias se não houvesse a presença da barragem de Manso como contenedora de volumes expressivos que poderiam influenciar na vida tranqüila dos ribeirinhos.



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