terça-feira, 29 de março de 2016

ESGOTO DOMÉSTICO



ESGOTO DOMÉSTICO

É o esgoto coletado nas residências, este esgoto tem uma composição de 99,9% de água, e 0,1% de sólidos em suspensão entre outros, portanto a fração a ser tratada corresponde a estes 0,1%.  A água que compõe o esgoto é resultado da somatória de uma parcela de cerca de 80% do que foi entregue, medida, e faturada na residência, acrescida de um percentual de infiltração por defeitos na rede (ver: http://goo.gl/La2F2c).

Esta fração de 0,1% de esgoto tem uma cruz de insumos, para cravar no meio ambiente


Devemos evitar esta ameaça com o tratamento do esgoto, cujo resultado final depende de uma tríade.

BOM PROJETO + BOA CONSTRUÇÃO + BOA OPERAÇÃO = FUNCIONAMENTO ADEQUADO

O que é um bom projeto?

É aquele que:

1. TEM UMA DEFINIÇÃO CORRETA DA POPULAÇÃO DE PROJETO

 2. PREVÊ O CRESCIMENTO VEGETATIVO COM ÁREAS DE EXPANSÃO PARA A ETE

 3. PREVÊ UMA LOCALIZAÇÃO ADEQUADA PARA AS UNIDADES DE TRATAMENTO, LIVRE DE ÁREAS INUNDÁVEIS, COM ACESSO A ENERGIA ELÉTRICA ADEQUADA, E COM ÁREAS DE ACESSO AOS EQUIPAMENTOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA

4. ESCOLHE TECNOLOGIAS QUE  DIFICULTAM A OPERAÇÃO, TAIS COMO: 

              CAIXAS DE AREIA MANUAIS QUANDO TEMOS GRANDES VAZÕES

              ETE DO TIPO LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO DE GRANDE PORTE
                                  
              POSICIONAMENTO DAS UNIDADES EM PLANTA QUE DIFICULTAM O ACESSO DOS 
              EQUIPAMENTOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA

5. ALÉM DO FOCO DO PROJETO NA PARTE HIDRÁULICA, PREVE TAMBÉM 

1. SEGURANÇA PATRIMONIAL ADEQUADO A ÁREA DE RISCO
2. URBANIZAÇÃO E DRENAGEM
3. F ILUMINAÇÃO PÚBLICA
4. REDE DE ÁGUA INTERNA

6. NÃO UTILIZA MATERIAIS INADEQUADOS COMO:

                    TAMPAS DE CONCRETO COM FERRAGEM / QUANDO DEVERIAM UTILIZAR FIBRA

                    GUARDA CORPO E CORRIMÃO DE FERRO / QUANDO DEVERIAM UTILIZAR FIBRA

                    GRADEAMENTO EM FERRO – QUANDO DEVERIAM UTILIZAR AÇO INOX 304 (*)

(*) O 304 (18%Cr 8%Ni) é o mais popular dos aços austeníticos e possui excelente resistência à corrosão, excelente capacidade de conformação e excelente soldabilidade.

O que é uma boa construção?

Os principais problemas de obras são:

DESCONHECIMENTO DE OBRAS DE SANEAMENTO, NÃO SABE OS PRINCÍPIOS NEM A FINALIDADE DA CONSTRUÇÃO

FALTA DE FISCALIZAÇÃO 

FALTA DE TREINAMENTO DOS FISCAIS DE CAMPO

CONSTRUÇÃO EM DESACORDO COM O PROJETO

UTILIZAÇÃO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS DE BAIXA QUALIDADE

E finalmente o que é uma boa operação?

Uma boa operação é aquela que dispõe de:

1. OPERADORES QUALIFICADOS E BEM REMUNERADOS 

2. OPERADORES BEM TREINADOS, COM NIVEIS DE ESCOLARIDADE ADEQUADOS 

3. POSUA EQUIPAMENTOS DE MANUTENÇAO E LIMPEZA BEM DIMENSIONADOS 

4. POSSUA NÚMERO DE OPERADORES E CONTRATOS PARA MANUTENÇÃO DAS UNIDADES DE TRATAMENTO ADEQUADOS 

5. TEM UM PLANO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA 

6. POSSUI CONTROLE OPERACIONAL DAS ETE’S

8. POSSUI PROTEÇÃO CONTRA VANDALISMO E INVASÕES

9. DISPÕE DE AUTOMAÇÃO

Portanto para que a cruz mortífera do esgoto não seja cravada no meio ambiente, devemos trata-lo, e com isso estamos promovendo as seguintes remoções:

1 - Remoção de sólidos em suspensão 

A remoção de sólidos sedimentáveis, bem como de materiais flutuantes e de parte da matéria orgânica em suspensão, presentes nos esgotos, é realizada por sedimentação. Nos fluxogramas dos sistemas simplificados de tratamento de esgotos, a remoção de sólidos em suspensão ocorre na primeira unidade de tratamento biológico (lagoa anaeróbia, tanque séptico ou reator UASB).

2 - Remoção de matéria orgânica 

A remoção de matéria orgânica é, usualmente, o principal objetivo do tratamento de esgotos, visando à preservação ambiental. Na estação de tratamento, a remoção de matéria orgânica (DBO e DQO) ocorre, principalmente, nas unidades de tratamento biológico.

3 - Remoção de organismos patogênicos 

A contaminação do corpo receptor por agentes patogênicos é o aspecto de maior importância na avaliação dos impactos sobre a saúde, decorrentes do lançamento de esgoto nos corpos d’água. Por isso, em estações de tratamento de esgotos, busca-se a remoção desses organismos. Nos sistemas simplificados de tratamento de esgotos, a remoção de organismos patogênicos, como cistos de protozoários (por exemplo, Giárdia sp.) e principalmente de ovos de helmintos (por exemplo, ovos de Ascaris Lumbricoides – popularmente conhecido como lombriga), ocorre por sedimentação no tanque séptico, no reator UASB e na lagoa anaeróbia, levando ao acúmulo dos ovos e cistos junto ao lodo dessas unidades. Já a remoção de microrganismos patogênicos (representados pelos coliformes) ocorre nas lagoas de maturação.

4 - Remoção de nutrientes 

Os objetivos da remoção de nutrientes (N e P) nas estações de tratamento estão diretamente relacionados aos impactos causados nos corpos receptores. A remoção de nutrientes é alcançada, usualmente, no tratamento em nível terciário, sendo pouco comum em nosso meio. Nos sistemas simplificados de tratamento de esgotos, a remoção de nutrientes ocorre nas lagoas de maturação. Vimos que os principais objetivos do tratamento dos esgotos consistem na remoção de sólidos em suspensão, matéria orgânica, organismos patogênicos e nutrientes. Mas como determinar quais poluentes devem ser removidos na ETE e qual a qualidade necessária do efluente da estação? A qualidade necessária para o efluente da estação é determinada, sobretudo, em decorrência das características do corpo d’água receptor, cuja qualidade da água é resguardada por padrões ambientais.

Níveis de tratamento de esgotos

Tratamento preliminar: remove sólidos grosseiros e areia.
Tratamento primário: remove sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica.
Tratamento secundário: remove matéria orgânica e, eventualmente, nutrientes.
Tratamento terciário: remove nutrientes, organismos patogênicos e poluentes específicos (compostos tóxicos, não biodegradáveis etc.).

A seleção do nível e tratamento depende essencialmente do corpo receptor que determinam os padrões de lançamento e a qualidade a ser mantida no curso d’água em função do seu uso previsto:

Fonte: ReCESA e Cagece
 

quarta-feira, 16 de março de 2016

OPERAÇÃO DE SISTEMAS DE ÁGUA E ESGOTO



OPERAÇÃO DE SISTEMAS DE ÁGUA E ESGOTO

Uma operação de sucesso, com redução de custos, eficiência, e elevado desempenho, é resultante de um projeto bem concebido, e executado.  O campo tem que reproduzir aquilo que se projeta, mas infelizmente não é isso que ocorre na maioria das vezes, principalmente porque não se complementa as obras com elementos essenciais a operação, e sem esses dispositivos nada do que se projeta realiza na prática, e daí começam as improvisações, gambiarras, prejuízos, elevados custos, e insatisfação dos clientes.

Os itens essenciais a uma operação eficiente e controlada são:
- Hidrometração
- Macromedição
- Setorização da Distribuição
- Cadastro de Redes e de Consumidores
- Automação
- Treinamento de pessoal
- Controle de Perdas
- Reservação e
- Controle de Qualidade.

Hidrometração

Quando um sistema é 100% hidrometrado, é previsível que os elementos de projeto assumam valores no campo muito semelhante ao que foi concebido, principalmente no que concerne a per capita, e pressões nos setores de abastecimento. 

Porém o mais comum, tomando como referência, estados de Mato Grosso, Maranhão, Pará, e a Maioria do Nordeste, em 90% das cidades não existe a prática da hidrometração nos serviços públicos de abastecimento de água, e quando existe é parcial, e com elevada vida útil, e sem controle funcional, com excesso de derivações clandestinas, e ou deteriorados.

Sem o controle do Hidrômetro, é impossível ter uma operação eficiente e lucrativa.
Onde a iniciativa privada está presente, a hidrometração é de 100%, pois deriva desta ação, a redução de custos de todos os insumos operacionais, assim como a postergação de investimentos em aumentos de produção.


Macromedição

A macromedição é essencial, principalmente nas unidades de produção, pois é determinante na dosagens de produtos químicos, e sem esta não há o que se falar em controle de perdas, pois quando não se sabe o que se produz, não é possível saber o que se perde. 

O comum atualmente é estimar o volume produzido, a partir dos dados de placas de bombas, valor que varia ao longo de uma curva característica, e do tempo de operação, que deve ser deduzido de paradas normais ou por falta de energia, ou variações com lavagens de filtros, decantadores e floculadores, portanto sem macromedição o que deriva dessa informação é estimativa.
 


Setorização da Distribuição

A rede de distribuição tem uma vida útil decorrente de vários fatores e dentre estes a da pressão de operação, que afeta diretamente a vida útil e eficiência dos medidores residenciais.

Operar sem uma setorização de pressão, definindo zona de alta pressão, zona de média pressão, e zonas de baixa pressão, ou no mínimo zona alta e zona baixa, faz com que haja maior número de rompimentos, além de favorecimento ao desperdício e a perdas por vazamentos não visíveis.

As redes devem ser setorizadas preferencialmente na fase de projeto e execução e na sua ausência quando o problema já está instalado, deve ser resolvido por meio de instalação de válvulas redutoras de pressão.
 
 

Cadastro de Redes e de Consumidores

O conhecimento das características das redes de distribuição, como material, diâmetro, posição, setor de distribuição é um dos maiores problemas na operação de sistemas, principalmente pela demanda de tempo nas manutenções. O cadastro geralmente é de domínio de funcionários jurássicos, que se valorizam por serem uma biblioteca ambulante, “sem eles nada funcionam”, e são requisitado sempre que um problema aparece.

O cadastro se constrói ao longo do tempo, com informações decorrentes das manutenções de rede, e deve ser posto no papel de forma que qualquer operador possa ter domínio da situação, e possibilitar fazer previsões de estoque e setorização.

Da mesma forma todo cliente deve ser cadastrado e classificado conforme a sua categoria de consumo, quer seja Residência, Comercio, Indústria, ou Serviço Público, derivando destes as categorias sociais, filantrópicas entre outras. Este conhecimento e manutenção do cadastro é de fundamental importância para o sucesso da comercialização do serviço.



Automação

Automação não é sinônimo de eliminação de pessoal, é sim gerenciamento com pessoal especializado. Hoje o custo de um sistema não automatizado e decorrente de extravasamentos de reservatórios, paradas de bombas tipo booster, extravasamentos de elevatórias de esgoto, picos de pressão e depressão nas redes de distribuição, é muito elevado e provocam reações em cadeia que podem ser evitadas com a instalação de pequenos sensores de baixo custo e elevada eficiência.

Os sinais de automação podem ser enviados por celular, ou via rádio, ambos de baixo custo comparado com os benefícios decorrentes. Pode-se evitar os plantões fixos com a utilização de um celular que recebe notificações quando ocorre falta e energia em pontos essenciais, extravasamentos de elevatórias de esgoto, ou reservatórios entre outros, o que garante uma rapidez nas intervenções sem prejuízo do abastecimento e reclamações dos usuários.
 





Treinamento de pessoal

O pessoal operativo em sistemas de abastecimento de água, são de características ímpar, pois não existe aprendizado nas escolas, e possuem uma linguagem especifica do setor: Fala-se em manobras, floculação, decantação, micromedição, Pitometria, DBO, PH, Alcalinidade, evasão, faturamento, perdas.......além de manuseio de produtos tóxicos, e que devem ser dosados em condições ideais, mediante manipulação de equipamentos laboratoriais. Portanto devem ser treinados, reciclados, monitorados, e testados continuamente. 

Os profissionais devem ser multifuncionais, evitando o máximo a especialização ou aqueles do tipo minha responsabilidade é só isso, pois é possível uma classificação trabalhista, com a função de operador de sistema, o que envolve tudo, tendo em vista a necessidade de uma multiplicidade de informações muito grande e variada em um sistema de água e esgoto.
 


Controle de Perdas

Saber o quanto se produz, e o quanto se fatura é de fundamental importância na administração do negócio. Produzir cem unidades e vender apenas cinquenta é uma tônica nos serviços públicos brasileiros, e na maioria das vezes vende-se apenas trinta, perde-se portanto até setenta e tudo bem.

Essa perda pode ser decorrente de fatores físicos como vazamentos e extravasamentos, que são visíveis, mas o que é significativo é a venda subfaturada, ou seja entrega-se na casa de cada cliente uma quantidade muito superior ao que é faturado. Essa perda ocorre pela falta de medidores domiciliares, pois quando não é medido cobra-se pela área do imóvel, o que é ilegal, um absurdo e não tem relação nenhuma com o consumo, pois muitos casebres consomem muito mais que casas de um padrão superior.
Operar assim é jogar dinheiro fora, pois tenho um elevado custo com energia elétrica, produtos químicos, pessoal….

Não é possível combater perdas sem conhecimento do que se produz por meio da macromedição, e do que se vende por meio da micro medição.
 

 
Reservação

A eficiência de um serviço de abastecimento de água está relacionada com o seu volume de reservação disponível. Deve-se projetar um volume de reservação maior ou igual a um terço da demanda necessária ao abastecimento diário, sendo que os reservatórios devem ser setorizados por zonas de pressão.

Este volume é necessário para suprir os picos de consumo nas horas e dias de maior consumo, assim como possibilitar a economia de energia, operando o sistema apenas nas horas em que reside o baixo custo de energia, é o que denominamos operação horo sazonal.


Controle de Qualidade

O controle de qualidade envolve a avaliação do serviço, assim como do produto vendido aos clientes. O atendimento as pessoas devem ser o mais cortês possível, com registros e ordenamento de prazos que devem ser cumpridos, e ou esclarecidos amiúde.
Quanto ao produto a legislação é bastante rigorosa, devendo ser feita rotineiramente nos pontos de redes previamente selecionados e em quantidades adequadas ao número de clientes.

Essas rotinas devem ser informadas sistematicamente aos clientes, buscando uma empatia e confiança no produto que estão consumindo, buscando principalmente a redução de sua despesa com fontes alternativas para a água de beber, sem o uso de água engarrafadas.