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sábado, 25 de junho de 2011

BANQUETE BACTERIANO

BANQUETE BACTERIANO
Cena 1 – 20:00 Restaurante lotado, mesa farta, muita bebida, e pessoas ávidas.
Cena 2 – 06:00 Alvorecer, descargas operando a todo vapor, e a rede coletora de esgoto recebendo, uma grande quantidade de matéria orgânica, composto pelas  fezes, urinas, e detritos que deveriam ir para o lixo, como preservativos, absorventes, cabelos, estopas, panos etc.
Cena 3 - Esta carga de matéria orgânica é  lançada em um Rio, e irá “roubar” o oxigênio da massa liquida para proceder a sua estabilização. A quantidade de oxigênio “roubada”, “retirada”, ou demandada, é representada pela DBO que é a abreviatura de Demanda Bioquímica de Oxigênio.
A palavra demanda quer dizer, entre outros significados, quantidade consumida ou a consumir; a palavra bioquímica significa, aí; um misto de reações de origem biológica e química. Dessa forma, podemos resumir que DBO é um consumo de oxigênio, através de reações biológicas e químicas.

No corpo d’água coexistem bactérias e matéria orgânica de todas as naturezas.

Uma bactéria se alimenta de matéria orgânica, isto é, seu alimento se baseia em substâncias que contêm carbono e hidrogênio.

A digestão completa dessa matéria orgânica se faz no organismo da bactéria, através de uma reação bioquímica que necessita de um elemento fundamental para ser realizada: o oxigênio.

Quando é fornecido como alimento à uma bactéria uma quantidade de matéria orgânica, ela precisará de uma determinada quantidade de oxigênio para que seu organismo transforme a matéria orgânica em outra substância (no caso, mineralize a matéria orgânica).

Um rio é sempre rico em matéria orgânica (alimento) e bactérias.

Para que as bactérias sobrevivam e se multipliquem é necessário haver alimento (matéria orgânica) e oxigênio. Se houver muitos alimentos, as bactérias se multiplicarão em demasia e disputarão entre si todo o oxigênio disponível; dessa forma, o oxigênio tende a acabar e as bactérias a morrerem, transformando-se em mais alimento disponível (afinal elas são matérias orgânicas também). Acabado o oxigênio, as águas do rio serão incapazes de sustentar a vida aeróbia (isto é, a vida de todos os organismos que habitam as águas e necessitam oxigênio para viver). Dessa forma, tem sempre que haver um limite de matéria orgânica que pode ser lançada a um rio, para que o oxigênio existente não desapareça e com isso o rio "morra".



O tratamento de esgotos nada mais é que uma forma de reduzir essa DBO, antes que o esgoto atinja o rio (ou o lago), para preservar seu oxigênio e também, em alguns casos, eliminar matérias orgânicas vivas transmissoras de doenças para o homem.

Nos esgotos não tratados (esgotos domésticos), cada pessoa é responsável (em média) pelo desaparecimento de 54 gramas diárias de oxigênio existentes nas águas do rio (ou lago) onde esse esgoto é despejado.

Cena 3 – Digestão anaeróbica em uma estação de tratamento de esgoto

Digerir é sinônimo de estabilizar a matéria orgânica contida no esgoto; este processo é conhecido desde o século 19, principalmente a digestão com ausência de oxigênio, ou digestão anaeróbica.

No digestor, encontra-se uma colônia de bactérias, ávidas por “comida” afinal são 6:00 da manhã, e o resultado do jantar está chegando fresquinho, que será convertida no café da manhã das bactérias em massa celular, metano, gás carbônico, e outros micro constituintes.

A população de bactéria é formada por três grupos mutuamente dependentes entre si, que são elas:


Bactéria Acidogenicas hidroliticas

Bactérias acetogenicas e

Bactérias Metanogenicas.

As bactérias Acidogenicas, iniciam a digestão convertendo polissacarídeos, celulose, amido, proteínas, e gorduras em um composto orgânico de cadeia curta facilmente absorvida pela parede celular, que são atacados pelas bactérias acetogenicas, em um processo de simbiose, ou seja, as acetogenicas dependem das Acidogenicas para viver, e produzir acido acético e hidrogênio.

Um banquete a parte é feito pelas bactérias Metanogenicas, que a partir do processo de fermentação acida produzem o metano, no processo de digestão. As bactérias Metanogenicas, encontram competidoras na digestão dos produtos fermentados, são as bactérias redutoras de sulfato, cujo produto final é o gás carbônico e o gás sulfídrico.

Em alguns casos estas podem suplantar as Metanogenicas, inibindo assim por completo a produção de metano.

Cessado o café da manhã, a biomassa composta pela colônia de bactérias anaeróbias, ficará aguardando nova alimentação do reator, ou seja chegou alimento este é degradado, mas deve haver um equilíbrio, não podemos ter uma superalimentação para uma pequena colônia, pois neste caso vai sobrar, tudo deve ser feito para que haja um tempo mínimo de permanência do alimento, para que possa ser digerido.

Após este processo de digestão, o efluente poderá ser lançado no corpo receptor, pois não irá causar nenhum malefício, competindo com os seres vivos do ambiente. A NATUREZA AGRADECE.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

WETLAND CONSTRUIDA

PÓS TRATAMENTO DE ESGOTO EM REATORES ANAERÓBICOS

Apesar do empate no quesito eficiência de remoção de Coliformes e DBO, entre os principais sistemas de tratamento de efluentes domésticos, qual seja: lagoas, Lodos ativados e Reatores UASB, ainda observamos entre alguns projetistas, uma elevada preferência pelo sistema de lagoas, talvez pela cultura, talvez pela falta de observação dos sistemas implantados. O certo é que o sistema de lagoas na comparação sugerida tem os seguintes desempenhos;


SISTEMAS DE TRATAMENTO





Apesar da necessidade de pós tratamento, o UASB é de longe o sistema menos impactante na região, além de poder ser incluído no elemento paisagístico, e ter médio custo de construção.

Dentre os sistemas de pós tratamento, o filtro biológico é o que melhor associa-se ao processo, elevando assim a remoção de Coliformes e DBO, para valores próximos de 100%,

Para o reuso do efluente onde há disponibilidade de área, o processo de remoção em Wetland, apresenta-se como uma alternativa barata e que pode ser fonte de renda com o cultivo principalmente de plantas decorativas. No Wetland os mecanismos associados de: Sedimentação, Filtração, Adsorção, Precipitação, Decomposição, Metabolismo Microbiano, Metabolismo de Plantas, e Decaimento Bacteriano, tem demonstrado uma boa capacidade de redução de DBO, Sólidos em Suspensão, Nitrogênio, Fósforo, Traços de metais e Organismos Patogênicos.

Este processo consiste em passar o efluente a ser tratado em meio filtrante (brita, areia, silte, cascalho etc.) podendo ser com fluxo submerso horizontal, fluxo vertical, ou de fluxo combinado, cujos componentes fundamentais encontram-se macrófitas aquáticas, o substrato e bactérias responsáveis direta e indiretamente pela ocorrência de remoção dos poluentes.

Quanto ao balanço hídrico, destacam duas parcelas: a infiltração e a evapotranspiração, provocando a redução da vazão efluente do Wetland, ou seja funciona como sumidouro e evaporador, esperando-se que nos meses mais ensolarados, o efluente final seja nulo e nos meses mais frios e chuvosos haja uma parcela do efluente, onde pode ser aproveitado em um reservatório, que pode ser utilizado na fertirrigação de jardins, culturas agrícolas, ou reuso como descargas de vaso, em áreas adjacentes ou no próprio empreendimento.

É justamente nos períodos de estiagem que os corpos receptores encontram com suas vazões bastante reduzidas, com menor capacidade de autodepuração, daí a grande vantagem da utilização do Wetland, que reduzem ou anulam neste período o lançamento de efluentes líquidos. A qualidade do efluente sai bastante límpido e pode ser reusado após um processo de desinfecção.