sexta-feira, 28 de maio de 2010

TELEMETRIA PARTE 2

TELEMETRIA – Parte 2 - Vazão

Operar um sistema de Abastecimento de Água ou de Esgotamento Sanitário implica em conhecer todas as variáveis do processo, com destaque para:

Vazão Captada: Qual o volume de Água bruta está sendo retirado do manancial?

Vazão de água distribuída: Qual o volume está sendo disponibilizado para o consumo?

Vazão de Água Faturada: Qual o volume está sendo cobrado dos clientes?

Regra geral os projetos não contemplam estes aspectos operacionais, em decorrência da ausência de informações, e ou por necessidade de redução de custos na implantação do empreendimento, além da não exigência, pelos órgãos financiadores, e ou operadores. A conseqüência é uma operação no “escuro”, é como ter uma fábrica de Cerveja e refrigerante e não saber qual o volume de produção, de distribuição e venda, caminho fatal para a falência. Em sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário, conhecer as variáveis relativas a volume tornou-se bastante simples e barata com o desenvolvimento de novas tecnologias, não sendo portanto cabível em pleno século 21, estar-mos operando com uma mão de obra desqualificada e com anotações fajutas, imprecisas, e aleatórias, em blocos de papel nas instalações de produção de água de tratada.

MEDIÇÃO DE VAZÃO CAPTADA NOS MANANCIAIS E TRATADA EM ETAS.

Para saber-mos as vazões instantâneas que estão chegando em nossa instalações, o sistema mais econômico é a calha parshall, que deve ser calibrada com uma ferramenta denominada de “ Pitometria” , ou ainda por métodos tradicionais como o de volumes em reservatórios. Estando a calha calibrada devemos instalar um medidor ultrassonicos, para registrar os valores instantâneos e acumulados; pronto, saímos do escuro e passamos a gerenciar nossa produção.


MEDIÇÃO DE VAZÃO DE ÁGUA DISTRIBUIDA.

Para saber-mos as vazões instantâneas que estão SAINDO de nossas instalações, o sistema mais econômico, é o medidor de inserção, que apesar de muito simples deve ser adquirido de empresas idôneas, e com referencia no mercado.

O medidor de inserção SeaMetrics, é de fácil instalação e calibração, baixo custo, e elevada precisão. Asssim com os dados de vazão processada na Eta e os dados de vazão de água distribuída, temos como administrar o volume de água que está sendo usado ou desperdiçado, no processo de tratamento, como lavagens de filtros, descargas de decantadores, e outros consumos, ou eventual fuga, em algum lugar do sistema. Portanto já estamos exercendo um processo de gerenciamento da nossa unidade de produção.

MEDIÇÃO DE VAZÃO DE ÁGUA CONSUMIDA

Saber o quanto estamos vendendo de nossa produção somente é possível com a medição individual em cada unidade de consumo. Hoje o mercado nacional dispõe de inúmeras marcas de micromedidores, além dos "importados chineses”. O processo de seleção deve ser criterioso, com um termo de referência bem elaborado e não somente a capacidade de vazão do medidor, “não estamos comprando bananinha”, é preferível não medir do que ter instalado um medidor de baixa qualidade.

Conhecendo o volume total de água faturada, comparo com o volume de água disponibilizada na rede, e tenho uma importante informação de gerenciamento, que é o quanto estou deixando de faturar, de quanto o meu faturamento está reduzido por ineficiência do meu sistema de micro medição, da minha rede com fugas, ou dos reservatórios com extravasamentos, etc.

Ainda não falamos de telemetria, e o sistema de Abastecimento de água pode ter um eficiente gerenciamento.

Quando tratamos de sistemas de pequeno porte tudo está resolvido, porém para médio e grande porte, é importante manter-mos os nossos dados sincronizados em uma central de gerenciamento, que irá em tempo real computar as vazões de produção, de distribuição por setores de abastecimento, e confrontar com os resultados das medições individuais processadas por coletores portáteis, assim ao final de cada ciclo de leitura teremos condições de avaliar em segundos como está comportando o setor de abastecimento, o que irá permitir subsidiar as equipes de apoio da manutenção, em pesquisas de vazamentos, e ou de investigações de consumo, com umas crítica, que irá avaliar situações onde ocorreu faturamento de volumes superior ao fornecido ao setor de abastecimento.

A transmissão dos dados do medidor ultrasonico, e do medidor de inserção é feito via rádio, para uma central, dotada de microcomputador que irá armazenar, gerenciar as informações e gerar relatórios para tomada de decisões.


TELEMETRIA – Parte 3 – Níveis e Pressão

Um dos maiores problemas enfrentados por aqueles que administram um sistema de abastecimento de água, é evitar o extravasamento de reservatórios, seguida da dificuldade, em se ter informações de como está abastecido determinado setor da cidade, sem que o usuário reclame..............A Empresa chega sempre após o usuário ter sofrido as agruras da falta d´agua. Atualmente porém as concessionárias, públicas ou privadas, de água e esgoto buscam cada vez mais a simplificação de seus processos e o aumento da eficiência operacional.
Nesse contexto, um dos maiores desafios é a escolha das tecnologias mais adequadas para o gerenciamento de suas instalações.
E em virtude da variedade de aplicações e diferenças operacionais entre os processos, nenhuma tecnologia individual é adequada para tudo. O setor de medição de nível vem apresentando diversas soluções técnicas que são atualizadas constantemente.
Algumas tecnologias foram abandonadas, outras aperfeiçoadas e novas tecnologias foram criadas.
Como resultado, a escolha da solução ideal envolve mais do que a simples identificação da função de um instrumento: medição de nível, fluxo em canal aberto ou monitoramento de manta de lodo. Assim neste texto propomos orientar aos projetistas, e concessionárias a selecionar equipamentos de medição de nível, e recomendar as soluções mais práticas para cada aplicação típica das instalações de tratamento de água potável e de esgoto.
Lembramos que entre as “tecnologias” abandonadas, inclui a que utilizava da variação de resistências em um cabo imerso em um reservatório, cuja condutividade do liquido permitia enviar uma tensão para um galvanômetro, remoto, interligado por LPs (Linhas privadas de telefone). Esta tecnologia foi muito utilizada pela antiga Sanemat, na década de oitenta, permitindo conhecer os níveis dos reservatórios Morro da Colina, e Bosque da Saúde, em uma central na Eta São Sebastião, o que tempos depois foi inviabilizado, em decorrência da precariedade das linhas telefônicas, .......a tecnologia evoluiu.
Atualmente o método mais eficaz, e econômico de medição de nível contínuo (proporcional) indica o nível no decorrer de todo o período de medição, é a utilização de sondas de níveis, que são de fácil instalação.


A transmissão da informação é feita via rádio, ou GSM (Global System for Mobile Communications) celular.



O resultado deste investimento em um sistema de abastecimento de água, é a garantia de uma supervisão constante nos centros de reservação, bem como garantia de credibilidade junto aos usuários, residentes na adjacência dos reservatórios.

Para controlar a pressão nas redes de distribuição, ou nas adutoras, devemos instalar um Sensor de Pressão, que incorporado a um transmissor GSM, garante a supervisão de diversos pontos estratégicos da rede, permitindo que toda ocorrência possa ser visualizada primeiramente pelo operador do sistema, que providencia reparos, antes que afete a vida dos usuários do serviço.

terça-feira, 18 de maio de 2010

TELEMETRIA



TELEMETRIA – Parte 1

O Inicio

A telemetria geralmente refere-se à comunicações sem fio, sendo realizada através de aparelhos que permitem a coleta de dados em locais diversos, transmitindo-os para outro local.

Assim quando Touro Sentado, o Cacique dos índios Sioux, queria avisar os seus amigos cheyenne, da presença do Sétimo Regimento de Cavalaria Americana, que estava sob as ordens do general Custer, utilizava-se de uma tecnologia denominada Fumaça Fragmentada, permitindo assim codificar um aviso entre dois locais remotos.




Touro Sentado chegou a ser famoso por conduzir três mil e quinhentos índios sioux e cheyenne contra o Sétimo Regimento de Cavalaria Americana, e, na batalha de Little Bighorn em 25 de junho de 1876, derrotou o exército federal. A comunicação sem fio já estava presente, ajudando o homem em suas conquistas, e garantindo produtividade em suas ações.

A Evolução da Telemetria no Saneamento

Operar um sistema de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário, sem os recursos da Telemetria é administrar no “escuro”, ou seja, não sei o que está acontecendo, e acho que está funcionando, é o achismo sempre presente. Assim uma linha de recalque que abastece dois centros de reservação em uma distancia de 5 km, estará sempre extravasando, e causando desperdício além de uma péssima imagem da empresa que combate as Perdas, e penaliza os seus usuários contra o consumo excessivo. No Brasil as Empresas não evoluíram no controle operacional, principalmente pela insuficiente visão empresarial de seus dirigentes, bem como do desconhecimento técnico de gerentes, projetistas, e operadores, além do principio básico de que é melhor proteger o mercado de trabalho, em detrimento a eficiência operacional, qualificação de pessoal e redução de custos. Neste quesito evolução o destaque é para a Sanepar (PR), seguida da Sabesp (SP), Copasa (MG), Embasa (BA) e Caesb (DF). Nestas empresas a telemetria está presente em todos os grandes centros, com transmissão de níveis de reservatórios, vazão, pressão, e estado de funcionamento de bombas. A visão de futuro é que todas as empresas venham aderir a este modelo gerencial, como mostra os novos empreendimentos financiados com recursos do PAC.

Sistema de Telemetria da Sanecap em Cuiabá

O primeiro sistema de Telemetria da Sanecap envolve o controle dos reservatórios Nova Esperança, Pedra 90 e Manduri. Assim o operador da Eta Tijucal pode visualizar nestes reservatórios o nível, o estado de funcionamento das bombas se está ligada ou desligada, e proceder desligamentos e ligação remota. Pode ainda controlar a abertura e fechamento de válvulas, permitindo gerenciar vazões em função da demanda setorial. A transmissão de dados para a central de controle é via rádio, sendo portanto em tempo real.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

GOLPE DE ARIETE – Parte 3

GOLPE DE ARIETE – Parte 3

Parte 3 – Evitando os efeitos do “Golpe de Ariete”

Lembra-se de como é possível realizar a pancada? (Veja Golpe de Ariete Parte 1), “Pois Intão”, tudo começa com o liquido continuando com o seu movimento mesmo após a parada da bomba, e ao percorrer uma longa distancia volta como um ariete e choca-se contra uma válvula assentada após a bomba, gerando um verdadeiro tsunami, com elevada pressão e uma velocidade da onda que atinge toda tubulação numa onda de pressão.

Se é só isto, vamos consultar o “arquiteto do castelo”, e buscar uma solução, que tem que se concentrar no objetivo de evitar o retorno da massa liquida, e nesta condição a primeira solução é a instalação do VOLANTE DE INÉRCIA.

VOLANTE DE INÉRCIA, é um grande disco que instalado entre a bomba e o motor tem a função de manter a bomba operando por um tempo igual ao tempo de parada, e assim garante que o tubo continue sendo preenchido pelo liquido bombeado mesmo com a ausência de energia. Isto ocorre porque sendo um grande volante, pelo principio da inércia, este tende a manter o seu estado de movimento com uma energia maior. Nesta condição quando a coluna atingir a velocidade zero esta tem inicio na bomba e não há coluna de retorno, e não havendo coluna de retorno não há o Golpe, não haverá a pancada, Simples não?

O problema é que didaticamente é muito simples....porém imagine uma instalação com um volante de inércia de um metro de diâmetro, ou mais, e a energia elétrica para retira-lo da inércia no instante da partida? Resultado: é um grande trambolho que ninguém ousa utiliza-lo.

Então vamos achar uma outra solução para evitar esta coluna de vácuo que é aberta na parada e que permite o retorno da coluna. Particularmente a solução que eu acho mais simples, mais econômica, e mais funcional, é o enchimento desta coluna no momento em que é formada. Como? Simples.......Constroi-se um reservatório externo, sendo alimentado por uma fonte dotada de bóia de nível, e interligado a tubulação de recalque por uma linha dotada de uma válvula de retenção, que no instante da parada, descarrega 1/3 de seu volume para o interior do tubo; pronto....quando a velocidade zerar, e for iniciado o período de retorno o tubo estará cheio e o golpe evitado. Este sistema chama-se TAU (Tanque de Alimentação Unidirecional).
Quando a pancada é pequena, a solução está no uso de válvulas de retenção, única ou por meio de seccionamento do trecho de tubulação, fracionando assim a pancada.

O assunto não está esgotado, porém o nosso objetivo é dar um entendimento simplista, para um assunto que existe inúmeras ferramentas, e modelagens matemáticas para a sua solução. Cada caso é um caso em particular, e deve-se dedicar uma importância a este dimensionamento, sob pena de prejuízos as instalações, com rompimentos de tubulações, deslocamentos de curvas, tês, etc.....

As válvulas de controle de bombas ocupam lugar de destaque no sistema de controle.......e prevenção de golpes de ariete.

O efeito BENÉFICO do golpe de ariete é o seu aproveitamento no dimensionamento de Carneiro Hidráulico.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

GOLPE DE ARIETE PARTE 2

CALCULANDO O VALOR DA PANCADA

Personagens:

São responsáveis pela intensidade do Golpe de Ariete, ou pela pancada causada pelo retorno da coluna liquida os seguintes elementos:

1. A Velocidade

a. Quando o liquido é impulsionado na tubulação, este está dotado de uma energia cinética, que depende de como foi projetado a instalação.
Em nosso exemplo vamos admitir que a tubulação seja em ferro Fundido de 300 mm de diâmetro, e que foi projetado uma velocidade de 2,5 m/s

2. Vazão

b. A Velocidade é função da vazão, ou seja, para bombear-mos uma quantidade de liquido em uma mesma tubulação, com secção constante, devemos variar a velocidade, sempre mantendo um dos princípios da Hidráulica que é representado pela equação da continuidade, ou seja, o produto da área do tubo pela velocidade que o liquido está sendo bombeado, resulta na vazão, assim:

Vazão (Q) = Área (S) x Velocidade (V)

Q = S x V sendo: Q (m³/s); S (m²); V (m/s)

Em nosso exemplo o tubo de diâmetro 300 mm possui uma área constante de 0,070686 m², e se o liquido está animado com uma velocidade de 2,5 m/s, concluímos que neste instante está sendo transportada uma vazão correspondente a:

Q = 0,070686 m² x 2,5 m/s.....Q = 0,176715 m³/s ou 176,715 l/s ou 636,174 m³/h.

Assim em determinada condição, é ilimitada a vazão que pode ser transportado por este tubo de 300 mm. Porém para uso prático, as velocidades de escoamento mais econômicas são aquelas compreendidas até o limite máximo de 3,0 m/s.

3. Pressão

Para vencer a resistência ao escoamento, faz-se necessário transportar o liquido sob pressão. Sendo que a pressão é justamente uma indicação da quantidade de resistência ao escoamento.

O que impede ou causa resistência ao escoamento do liquido?

• O destaque na resistência, é para a diferença de nível entre o liquido na fonte, e no lugar que deve ser transportado. (DN)

• O segundo zagueiro é causado pelo atrito entre o líquido e a parede interna do tubo, é chamado de perda de carga, perda de energia, perda por atrito. O atrito pode ocorrer ao longo do tubo, e também nas peças e conexões que compõem a tubulação como: válvulas, curvas, tês, etc. sendo que o somatório destas resistências é traduzida em unidades de pressão, geralmente em metros.
Para transportar o liquido do ponto A, ao ponto B, o projetista deve definir, a pressão de trabalho, porém durante o fenômeno do golpe de aríete, a pressão poderá atingir níveis indesejáveis, que poderão causar sérios danos ao conduto ou avarias nos dispositivos nele instalados. Danos como ruptura de tubulações por sobrepressão, avarias em bombas e válvulas, ou colapso de tubos devido a vácuo, etc. Em nosso exemplo vamos admitir que a nossa pressão de trabalho seja de 10 bar (10 Kg/cm² - 100 mca)

Voltando ao nosso exemplo onde estamos transportando um liquido com uma velocidade de 2,5 m/s, em um tubo de 300mm, estamos diante de um problema hidráulico, mas iremos utilizar os princípios da cinemática para saber-mos qual a distancia que o líquido conseguirá percorrer até atingir a velocidade zero. Vamos admitir um tempo de parada de 10 segundos (posteriormente vamos calcular este valor exato).

Na Cinemática temos que a velocidade de um corpo é igual ao quociente entre o espaço percorrido e a velocidade gasta neste espaço, ou seja;

V (m/s) = E (m) / T (s)........Logo: E = V x T
Assim o nosso liquido ira percorrer um espaço de 25 m até a sua parada total, e iniciar o seu movimento de volta para dar a PANCADA na bomba ou em uma válvula que fechou.
Já viu um pingo no chão? Gera uma grande explosão, pois o liquido é incompressível, e um pingo em um copo, gera uma onda, e a maré alta quando bate na amurada de uma avenida litorânea, possui um efeito de retorno devastador, pense agora em uma coluna de liquido caindo de uma altura de 25,00m confinado em um tubo de 300 mm?

O resultado é uma grande pancada, e a geração de uma onda de retorno com uma rapidez que denominamos de celeridade (a), ou seja, Celeridade é a velocidade com que a onda gerada pelo choque se desloca ao longo da tubulação. (é diferente da velocidade da água), é um verdadeiro tsunami gerado dentro do tubo. Em nosso exemplo nossa instalação está trabalhando com 10 bar, essa pancada irá gerar uma sobrepressão, muito maior que este valor, e temos que ter tubos, válvulas...para resistir a este acréscimo de pressão, e também mecanismos para evitar que esta pancada assuma valores muito grande que exigirão aumento de custos em nosso projeto.

4. Comprimento da Tubulação

O comprimento da tubulação, é de fundamental importância no cálculo do valor do choque. Vamos adotar em nosso exemplo, um L=4.000 m

Agora finalmente estamos aptos para calcular o valor da pancada, que nossa instalação vai levar quando o sistema parar.Na seqüência vamos cuidar para minimizar este golpe, e ou proteger nossa instalação.

Primeiro Objetivo: Calcular o valor da Pressão gerada pela pancada do retorno do líquido.

Método: Supersimplista

1 - Cálculo da velocidade de propagação da onda, após a pancada.

a = 9.900 / (48,3 + K x D/e) 1/2

Onde:

a = Celeridade da onda (m/s)
D = Diâmetro de tubo (m).......0,3 m
e = Espessura do tubo (m).......0,007 m
K = Coeficiente que leva em conta os módulos de elasticidade

Tubos de aço, k = 0,5.
Tubos de ferro fundido, k = 0,6.
Tubos plásticos, k = 18,0

Logo: a = 9.900 / (48,3 + 0,6 x (0,3 / 0,007))1/2

a = 1.150,74 m/s.........observe que é uma super velocidade com que a onda de choque se propaga.

2 - Tempo de parada da bomba.

O tempo T é o decorrido entre a interrupção de funcionamento do conjunto moto bomba, por interrupção de energia e ou por ação voluntária do operador, provocando um cessar da velocidade de circulação da água na tubulação, a qual diminui progressivamente, até atingir o valor zero, parada total, para iniciar o retorno.

Este tempo será determinado pela fórmula de E. Mendiluce que propõem a seguinte expressão para o cálculo do tempo de parada:

T = C + ( K . L . V ) / ( g . Hm)

Sendo:

T = Tempo de parada da bomba (seg.)
C e K = Coeficientes empíricos de ajuste
L = Comprimento da adutora ( m )
V = velocidade de fluxo (m/seg.)
G = aceleração da gravidade (9,81 m/seg2)
Hm = altura manométrica total (m)

O coeficiente C é função da reação entre a altura manométrica e o comprimento da tubulação sendo:

C = 1 se Hm / L <>
C = 0 se Hm / L > 0,40
C = 0,60 se Hm / L > 0,20 e <>
O Coeficiente K depende do comprimento da tubulação, e pode ser obtido a partir da tabela à seguir:
L < k="2,00" align="justify">L +-= 500.................K=1,75
500< k="1,50" align="justify">L+-=1.500................K=1,25
L> 1.500...................K=1,00

Logo o tempo T de parada decorrido entre o bloqueio de energia e a velocidade igual a zero é dado por:

T = 1 + (1 x 4.000 x 2,5) / ( 9,81 x 100)

T = 10,19 segundos

O comprimento crítico Lc, é a distancia que separa a Bomba do ponto de coincidência das formulas de Michaud y Allievi, é calculado pela fórmula de Michaud. Comparam-se os comprimentos L (Adutora) & Lc. Sendo Lc igual a:

Lc = (a x 15,52) / 2, onde:

a = 1.150,74 m
T = 10,19 s.

Então:

Lc = (1.150,74 x 10,19) / 2
Lc = 5.865,72 m

Cálculo da Sobrepressão (H)

Se H = 2xLxV / gxT

Caso contrario calculamos a sobrepressão pela fórmula de Allievi, onde:

H = a x V / g

Neste exemplo iremos calcular a sobrepressão, ou o golpe, pela expressão:

H = 2xLxV / g x T

H = 2 x 4.000 x 2,5 / 9,81 x 10,19

Logo; H = 200,07 mca
lembra-se de quanto era a nossa pressão de trabalho? Essa é uma pancada com sérias conseqüências.

Este valor representa a pressão no instante do golpe, causado pelo retorno do liquido, (É a componente da energia Cinética), porém deve ser acrescido da diferença de nível (componente da energia potencial), que ocorre no mesmo instante. Assim admitindo que a diferença de nível de nosso projeto seja de 60,00m teremos uma pressão total responsável pelo Golpe de ariete igual a:

Sobrepressão Total (Ht) = H + DN.........Ht = 260,07 mca ou 26,00 bar

Para ter-mos uma melhor visualização da magnitude desta pressão, vamos admitir que o retorno do liquido seja sob um cap (Tampão de 300 mm) cuja área já calculamos e é igual a 0,070686 m².
da Física sabemos que:

Pressão = Força / Superfície.......Logo a força exercida no cap no momento do golpe será:

F = P x S ou F = 26,00Kg/cm²x706,86cm²

F = 18.378,31 Kg ou 18,38 Ton.

Suficiente para provocar um grande estrago se não for evitada esta força.

Na seqüência: Evitando a Pancada Hidráulica, ou Golpe de ariete.

domingo, 9 de maio de 2010

GOLPE DE ARIETE

GOLPE DE ARIETE

Parte 1 – Entendendo o “Golpe”


Ou Entendendo o Coice, o Baque, a Pancada, a Batida, o Empuxo, ....a Coronhada.

Os Atacantes

Antes do satélite, do laser, do Celular as guerras eram decididas no “corpo a corpo”, e para chegar até o inimigo era necessário invadir a sua fortaleza, e uma das principais armas utilizadas era o aríete, que é uma antiga máquina de guerra constituída por um forte tronco de árvore de madeira resistente, com uma testa de ferro ou de bronze a que se dava em geral a forma da cabeça de carneiro; Os aríetes eram utilizados para romper portas e muralhas de castelos ou fortalezas. Foram largamente utilizados nas Idades Antiga e Média. Existiam diversas formas de aríetes, dependendo do local e povo que o construía. Pode-se dizer que eles foram os precursores dos tanques de guerra.






Aríete portátil

Quando era importante tomar um povoado inimigo com rapidez, um recurso simples era cortar uma árvore robusta, podar o tronco, acoplar algumas alças e usar a árvore para destruir um portão ou uma parte da muralha. Embora fosse muito perigoso segurar o aríete, essa arma podia ser colocada em ação algumas horas depois da chegada às muralhas da cidade.



A Intensidade da PANCADA (ou Intensidade do Golpe de Ariete), estava relacionada com o peso do tronco e a velocidade dos arremessos, em condições diretamente proporcionais, ou seja, quanto menor o peso do tronco, e menor a velocidade, implicaria em menor pancada.

Os Defensores

A parte mais vulnerável de uma fortificação era o Portão Principal, e este era o alvo do ataque inimigo, com a utilização do ariete. Portanto os “Arquitetos” do Forte deveriam reforçar esta instalação ou criar um mecanismo de defesa eficiente, além do lançamento de óleo de baleia aquecido; e a solução foi criar uma arquitetura que impedisse o manuseio do ariete (veja a ilustração), onde a porta principal só tem acesso para quem entra pela lateral, assim o problema foi resolvido.

Forte dos Reis Magos em Natal RN - Brasil

A Inércia

Todo corpo tem a propriedade de manter o seu estado de movimento, isto é se está parado sua tendência é continuar parado. Se estiver em movimento sua tendência é manter-se em movimento, quando qualquer ação tende a alterar o seu estado original.

O Exemplo mais simplista para entendimento da inércia é de um homem em pé dentro de um ônibus. Se o ônibus está parado o estado do homem é parado e ele tende a manter esta situação quando o ônibus “arranca” , sendo portanto impelido para traz. Já com o corpo em movimento a sua tendência é manter este estado indefinidamente, sendo impelido para a frente quando o ônibus freia.

Pense agora em uma tubulação, onde seu interior está preenchido por um liquido impulsionado por uma bomba; O liquido está em movimento, o seu estado de movimento pode ser alterado quando voluntariamente desligamos a bomba, ou quando há falhas no sistema de alimentação elétrica. Lembre do cidadão no ônibus, da mesma forma quando desligamos a bomba, o liquido continua sendo impulsionado para frente, devendo percorrer uma distancia em função da sua velocidade inicial, e como está confinado dentro de um tubo, provoca um vácuo no comprimento da distancia percorrida.

Decorrido alguns segundos, e por falta de uma força para continuar impulsionando o liquido, este para, ou seja, sua velocidade é igual a zero.

Neste instante o que temos: Uma bomba parada (Nosso Castelo),... Um trecho de tubo sob o efeito do vácuo,... e um imensa coluna liquida com velocidade igual a zero (Nosso Tronco de Madeira)
Como sempre bombeamos para cima, o que irá ocorrer? Lógico pelo efeito da gravidade toda coluna de água ( Nosso Tronco de madeira) vai retornar, e dar uma grande pancada na bomba, dar um grande golpe de ariete. Se o tubo e a bomba estiverem “preparados” vai resistir, e o inimigo não causará nenhum dano, caso contrário irá explodir a bomba e a tubulação, pelo efeito do golpe de ariete, (Ou golpe da coluna de água).

No Próximo segmento: Calculando o Valor da PANCADA , e Dimensionando a Fortificação