sexta-feira, 26 de novembro de 2010

REDE DE DISTRIBUIÇÃO POR QUADRAS

REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA POR QUADRAS

Trabalho técnico apresentado no 11º Congresso Brasileiro da ABES em Fortaleza CE Set 1.981

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de documentar as observações do cotidiano da "operação" de Um Sistema de Abastecimento de Água, bem como o seu confronto com o que é teoricamente projetado para ocorrer na prática, no que concerne às redes de distribuição.
Considerando o custo e a importância das redes e das ligações domiciliares, bem como a quantidade destas instalações, esta componente do sistema limita-se as fases de projeto, implantação e eventual manutenção quando ocorre arrebentamento; e em se mantendo estas condições, o Autor estabelece critérios para que não haja distanciamento entre a Teoria & a Prática, e recomenda novas metodologias de cálculos para barateamento das obras, a partir do efetivo controle das ligações e sugere novos materiais. Inclui ainda um software desenvolvido com o aplicativo Excel, que permite a automatização de todo o dimensionamento da rede por quadras.

INTRODUÇÃO

O Estado de Mato Grosso teve o seu primeiro sistema de abastecimento de água implantado na cidade de Cuiabá (Capital), o sistema era composto de uma captação no Rio Cuiabá no Bairro do Porto e recebeu o nome de "hidráulica do Porto". Na época as Adutoras eram de aço e construídas com auxilio de calandras e soldas, (tubos "costurados"), as conexões eram rígidas através de juntas de flange, e as redes de Distribuição seguiam o mesmo padrão para os grandes diâmetros, porém, os pequenos diâmetros eram construídos de Ferro Galvanizado, sendo que as ligações domiciliares eram executadas em tubos de Ferro Galvanizado em diâmetro de 1/4, 3/8 e 1/2 polegada, e conforme registros da época, tudo funcionava muito bem, porém o progresso tecnológico chegou, e novos investimentos foram feitos utilizando o PVC nas redes e ramais, nesta fase o fator corrosão teve maior importância que os redutores de consumo, e as ligações passaram a ter diâmetros únicos de 3/4 de polegadas, incorporando como conseqüência os altos desperdícios das ligações não medidas, devido a uma oferta exagerada. Em nosso Estado o tubo de diâmetro 32 mm foi utilizado em condições tecnicamente incorretas ou em situações onde a falta de controle das ligações induziu à sua condenação, com o rótulo de "ineficiente para as redes de distribuição". Hodiernamente com o advento da necessidade de racionalização de custos e do controle de perdas, buscamos alternativas para o seu uso, motivo deste estudo.

3. RAMAL DOMICILIAR

3.1. VAZÃO DE PROJETO

Cabe ao Projetista estabelecer uma cota individual de consumo (per capta) fundamentado nas características regionais. Em alguns casos, porém, este parâmetro é imposto por normas em função das características dos clientes, do local, do tamanho dos imóveis e do número total de ligações.
É, portanto a partir deste valor que tudo se inicia, isto é, o per capta irá definir:

• O volume de água necessária para atender a demanda do projeto
• O diâmetro das redes
• O custo total da obra etc.

Assim em uma localidade cuja densidade populacional seja de 4,2 hab./domicilio, a variação do per capta terá as seguintes influências no volume final da demanda projetada.

Observe que o per capta tem um efeito multiplicador muito amplo, pois a sua variação é historicamente adotada com uma amplitude mínima de 50 L/hab./dia.

E no conforto da prancheta, o engenheiro limita um consumo Per Capta cujo resultado dependerá essencialmente da ocorrência simultânea de alguns dos seguintes fatores:

a) - Alta conscientização da sociedade e compromisso com a utilização racional;

b) - Existência de redutores de consumo, que consiste em um aparelho que instalado no cavalete, impede a passagem além de um volume pré estabelecido; ou

c) - Medição do consumo através de hidrômetros, seguida de cobrança proporcional ao uso.

d) O que assistimos porém durante décadas é que nenhum destes fatores acompanham a implantação das obras de abastecimento de água, e como conseqüência temos resultados desastrosos com insatisfação das populações beneficiadas com as redes e ligações, seguidas de criticas ao profissional projetista e mais acintosamente à empresa executora. Conseqüentemente para resolver o problema entra em ação as equipes de campo, munidos de ferramentas de Pitometria e produzem novos projetos "desmanchando" integralmente o original, pois geralmente constatam que:

e) - O abastecimento só e possível com a adoção de manobras (rodízio). E para garantir o rodízio são instalados novos registros e o que era para ser um sucesso de projeto vira um desastre. Com o consolo, porém de que com o aumento da produção de água, o bairro ou cidade passará ter água 24 h/dia. E em alguns casos a obra de ampliação chega e o problema não é resolvido, pois o desperdício é diretamente proporcional a oferta.


3.2. O RAMAL DE PROJETO

Nas condições de rede de diâmetro mínimo adotado de 60 mm, assenta-se um colar de tomada no tubo, e faz-se um furo com uma broca de diâmetro igual a 1/2" (meia polegada); ajusta-se um adaptador e conecta-se o ramal em tubo de polietileno de alta densidade (PAD) em diâmetro de 1/2", a seguir conecta-se um adaptador e é instalado um cavalete em ferro galvanizado no diâmetro de 3/4"

Pronto: Um novo usuário é conectado ao sistema de abastecimento, e na prancheta do projetista foi previsto que o mesmo iria ter um consumo de 150 l por cada habitante do imóvel, ou seja, uma média de 600 l/dia considerando uma ocupação de 4 hab. Por imóvel residencial.

A Realidade: Quando o engenheiro projetista estabeleceu a vazão de projeto por meio do Per capta Residencial, ele fundamentou-se em alguns parâmetros comportamentais, que somente irão ser concretizados, se a ligação domiciliar for dotada de HIDROMETRO, que vinculará custo a privilégios de se ter uma maior quantidade de água para utilização, em resumo:

“A VAZÃO DE PROJETO SOMENTE SE REALIZARÁ SE HOUVER O CONTROLE DO CONSUMO POR MEIO DO HIDROMETRO”

Todo sistema de abastecimento de água é projetado com a premissa de existência do hidrômetro, porém estes tem a instalação postergada, e o resultado final são sempre desastrosos, e insatisfatório do ponto de vista de um serviço adequado, pois a falta d´agua vai ocorrer, pois em um cavalete desprovido de hidrômetro a oferta é sempre muito elevada, pois um ramal que liga um barraco na favela é o mesmo que conecta as mansões, as escolas, ou até prédios de apartamentos; em um teste que realizamos no laboratório montado no pátio da Gercap, observamos por medidas físicas as seguintes vazões, em um reservatório situado em uma altura de 3,80 metros, com uma ligação de ½”.

Pressão Vazão na Torneira Vazão no Reservatório
Na Rede do Jardim (Litros/hora) (Litros/hora)

10 mca 1.263 698
15 mca 1.599 946
20 mca 1.895 1.043
25 mca 2.117 1.161

 A oferta no cavalete não medido, com uma pressão de 15 mca, representa um volume de 38.376 litros por dia, ou 1.151.280 litros por mês.

 Este Volume corresponde ao consumo de 77 ligações medidas

 Haverá previlégios de zonas baixas em detrimento de zonas altas exigindo assim a adoção de MANOBRAS.

Outros
Conclusão:

EM SISTEMAS NÃO MEDIDOS NADA SE REALIZA DO QUE É PROJETADO, e AUMENTAR A QUANTIDADE DE ÁGUA NO SISTEMA É COMO TENTAR ENCHER UM TONEL FURADO..
Continua com a proposta de redes por quadras, e micromedição.....

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