terça-feira, 30 de agosto de 2011

MEDIÇÃO DE VAZÃO DO RIO QUEBÓ

MEDIÇÃO DE VAZÃO DO RIO QUEBÓ

Parte 1 – PREPARATIVOS PARA A VIAJEM

Na rotina de trabalho do engenheiro projetista, inclui as inspeções de campo, visto que o mesmo deve ter como regra fundamental, que preliminarmente a qualquer projeto, deve-se fazer uma minuciosa inspeção de campo, onde devem ser registradas todas as peculariedades envolvendo o projeto.

E lá estava eu preparando para deslocar até o Rio Quebó, numa ensolarada manhã de sábado, quando lembrei-me de uma crônica escrita pelo eng. Manoel Henrique Campos Botelho, em seu livro “Manual de Primeiros Socorros do Engenheiro e do Arquiteto” em 1.984, e apesar de nossa evolução tecnológica, com GPS, Notebooks, Foto digital, entre outros, resolvi copilar a crônica a seguir como preâmbulo, de minha atividade de medição de vazão no Rio Quebó.

0 ENGENHEIR0 QUE VEIO DE LONGE

Um dia, por razões que cada leitor imaginará, uma firma de projetos em que eu trabalhava teve que contratar um engenheiro consultor estrangeiro. Eu chefiaria a equipe brasileira que acompanharia e daria suporte aos trabalhos desse engenheiro. A perspectiva de um trabalho comum foi encarada um pouco com curiosidade e um pouco com preocupação. O dito cujo foi recebido sem festas, mas também sem hostilidades. Havia uma expectativa no ar.

As coisas ficaram feias quando se decidiu o que ia o homem fazer: chefiar as equipes do levantamento de campo, quaisquer que eles fossem, levantamentos urbanos, hidrológicos, cadastrais, sedimentológicos, etc. etc. Trazer alguém de fora para conduzir levantamentos de campo?

E nós não sabíamos fazer levantamentos de campo? Mas ordens são ordens e iniciou-se o trabalho em comum. Foi marcada uma reunião do grupo do qual eu fazia parte, para planejar a inspeção do dia seguinte, referente ao levantamento urbano e populacional de uns bairros periféricos de São Paulo e que daria origem a um estudo demográfico e sanitário.

Na reunião, lá veio o personagem em pauta com uma conversa esquisita. Queria o dito cujo saber que roupa usaríamos na inspeção de campo (I), e queria conhecer a mala (?) de apetrechos que costumávamos usar nesses levantamentos. Não entendi a pergunta. Sempre fiz anotações de campo em folhas usando, como é lógico, uma caneta esferográfica que eu nem precisava levar, pois o motorista do carro sempre tinha uma em seu poder.

Quanto ã roupa da inspeção (?) que podia ser além de uma velha calça rancheira e uma eventual bota, que, aliás, era meio incomoda, face a um eterno prego que um dia eu ainda mandarei o sapateiro tirar. Mas até aí as perguntas do dito cujo eram só surpreendentes ou curiosas, mas não absurdas. Absurdo foi quando ele me perguntou se o roteiro do meu relatório de campo já estava pronto, pois o dele já estava,

Descobri tudo. Além de receber em dólares por uma inspeção de Campo, o danado já trouxera o relatório pronto (?). Como pode? Mas ordens são ordens como já disse, e como tenho dois guris para alimentar não botei a boca no trombone e me preparei para iniciar no dia seguinte o mais inusitado de todos os levantamentos de Campo da minha vida. — Uma inspeção de campo que já tinha relatório pronto?

 
As surpresas continuaram no dia seguinte. O "homem“ surgiu no local de encontro como uma figura ridícula. Chapéu de abas largas, calça com elástico na cintura, bombachas na perna, além de previsível bota (possivelmente sem pregos) e carregando uma misteriosa mala preta.

Como em geral esses homens não gostam de abrir as caixas pretas digo malas pretas, não perguntei o que tinha lã dentro. Saímos para a histórica inspeção. Andamos em ruas esburacadas e enlameadas e pulamos por cima de córregos poluídos, paisagens típicas de nossa pobre periferia, Tenho que reconhecer que calças com elástico na cintura dão maior mobilidade que calças com cintas de couro (questão de módulos de elasticidade diferentes dos dois materiais teria comentado o meu velho professor de Resistência de Materiais). Não pude, pelo exposto, acompanhar em todas as andanças o personagem em foco, pois eu não queria sujar demais minha calça nova de gabardine já que a minha calça rancheira estava lavando exatamente no dia da inspeção.

Tive que reconhecer intimamente que nessa questão é que o ridículo chapéu de abas largas realmente protege a cabeça quando o sol esta a pino?

Tão logo deslanchou a inspeção, começou a se abrir a enigmática mala preta. E não é que o homem tinha levado caderno, prancheta de mão, lápis de várias cores, borracha, escala, trena, cartões de visita, binóculo, termômetro, nível de mão, fio de prumo, bússola, canivete de mil e uma utilidades, e mapas da região? Neste ponto eu não falhara. Eu tinha levado minhas folhas soltas, e, como previa, não faltou caneta esferográfica, emprestada do motorista que nas horas de carro parado, preenchia mil volantes em branco da loteria esportiva na tentativa de cercar a zebra.

Como o último coelho que os mágicos tiram da cartola, o colega tirou da mala preta uma máquina polaróide e foi tirando fotos instantâneas dos locais visitados e escrevia no verso o que significava cada uma.

A inspeção ia bem. Eu procurava olhar e gravar tudo o que via, pois sou ótimo observador o consultor em oposto devia ter péssima capacidade, de julgamento, pois anotava tudo, media tudo e escrevia tudo no seu caderno sobre a prática prancheta de mão. Até alguns desenhos ele podia fazer face ao enxoval que trouxera. Ainda voltamos cedo para o escritório e decidimos começar a escrever o relatório da inspeção ao campo. Aliás quem ia escrever era só eu, pois o colega não já o tinha trazido pronto lã do hemisfério norte? Fui olhar de soslaio a sua famosa minuta do relatório. A minuta era um tipo de relatório padrão em que o relator devia tão somente preencher os claros e os dados faltantes como que seguindo um roteiro básico. O relatório padrão sugeria pois, que fossem preenchidas informações tais como: data, número de contrato, pessoas que participaram da inspeção, quilometragem de inicio e fim do uso do carro, ocorrência de chuvas, temperatura local, as plantas e mapas que orientaram os levantamentos etc., etc. É, dificilmente alguma coisa escaparia.

John terminou rápido seu relatório, anexando suas fotos e colocando tudo o que medira, registrara e anotara. O relatório dele ate que ficou bom. Quanto ao meu, bem ... decidi começar a escrevê-lo em casa, depois que as crianças dormissem.

Não escrevi o meu relatório, escrevi esta crônica.

Continuação: Medição de vazão no Rio Quebó



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PRODUTIVIDADE

PRODUTIVIDADE

“A Produtividade de um sistema organizacional é decorrente da eficiência e do rendimento da mão-de-obra direta envolvida na execução da tarefa.”



Na década de 70, iniciamos uma análise na produtividade da mão de obra envolvida, em algumas tarefas essenciais na Empresa de Saneamento, priorizando aquelas em que se concentravam o maior numero de operários. O primeiro grupo a ser avaliado foi os de OPERADORES DE RESERVATÓRIOS, sim isto mesmo que leram, e esta função existe até os dias de hoje, onde um grupo de profissionais se reveza para não deixar o reservatório extravasar, e ligar e desligar as bombas em horários programados; como se tratava de um “desperdício de mão de obra” iniciamos um trabalho de controle automatizado destas funções, que o tempo encarregou de deteriorar, e foi abandonado por falta de interesse e manutenção. Cuidar de Reservatórios é um trabalho entediante, e que leva a muito sono, além de que os profissionais envolvidos podem ser mais bem aproveitado e conseqüentemente melhor remunerado.


Outra função com grande numero de profissionais, é a de ENCANADORES, que operavam da seguinte forma: Um grupo que coubesse em um caminhão saia para o trabalho todos os dias a partir das 8:00h, e eram deixados em pontos distintos em função de cada tarefa, esses grupos eram constituídos em geral de um Encanador e um Servente, que eram recolhidos ao final da manhã, para almoçarem em sua base de trabalho. Neste método de trabalho o primeiro grupo que chegava, realizava o trabalho em alguns minutos, sentava na calçada e perdia-se precioso tempo de uma mão de obra importante para a Empresa, pois havia mais passeio com deslocamentos do que com efetivo serviço. A solução foi copiada da Sanepar, que foi a pioneira em criar equipes dimensionada para cada tipo de serviço, assim como viaturas apropriadas a estas atividades.
   Viatura com um encanador/motorista e um auxiliar, realizam 90% dos serviços de campo.



São inúmeras as situações em que a mão de obra, tem um aproveitamento improdutivo, e sem controle, gerando assim profissionais desmotivados, pois tanto faz a sua perseverança ou não, que o seu salário será sempre o mesmo; Instituímos então um bônus produtividade, durou enquanto os membros das áreas meio resolveram buscar o mesmo beneficio; afinal o operador é público. Em uma Empresa de saneamento o esforço deve ser concentrado nas áreas “fins”, e devem ser apoiadas pelas áreas “meios”. Assim teremos uma empresa produtiva, e com reais benefícios ao publico usuário dos serviços.

Infelizmente o poder público é ineficiente quando o assunto é produtividade, agilidade, e interesse coletivo, dando margem a que em uma transição entre poderes, a iniciativa privada melhore acima de 30% em todos os aspectos o desempenho da empresa, apenas com medidas administrativas.

A gestão da empresa concedida, não é uma questão de quem faz melhor, e sim a de quem pode fazer melhor e sem restrições. Nestas condições são reduzidos os custos operacionais, melhorado os serviços, e conseqüentemente a arrecadação, o que permite ter uma Empresa com uma TIR, superior a da empresa pública, e praticar uma tarifa igual ou inferior a em vigor.

Baixa Produtividade tem como conseqüência retrabalho, e dinheiro no ralo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

GERENCIAMENTO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

GERENCIAMENTO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Existem duas formas de gerenciamento de um sistema de abastecimento de água, sendo o primeiro no escuro, e o segundo de forma automatizada.

a) Gerenciamento no escuro:

Neste modo de gerenciar, o achismo é preponderante, assim como a participação do usuário do serviço que “chia” quando as coisas vão mal, e a falta d’água ocorre em sua residência.

 
Administrar um sistema de abastecimento de água no escuro, é possível em pequenas localidades, com um único sistema de reservação, dois setores de abastecimento, e onde um vazamento não tem duração que prejudique o sistema. Porém nos grandes centros distribuidores, a ausência de controle conduz a extravasamentos de reservatórios, falta d água em setores que serão descobertos quando o “estrago” já é muito grande, gerado pela extensão do tempo de duração entre uma falha no sistema e a ausência total de água nos reservatórios domiciliares.

Um dos grandes problemas dos sistemas com expansão de redes no modo “quebra galho”, é o elevado diferencial de pressão entre setores de abastecimento, com prejuízo para o sistema de medição, alem de rompimentos de redes, por golpe de ariete em manobras de redes.

a) Gerenciamento Informatizado:

Dentre as propostas de melhorias de gerenciamento operacional, com o objetivo de reduzir perdas, e disponibilizar o produto sem necessidade de investimentos expansionistas, a AUTOMAÇÃO é a tecnologia que vem sendo aplicada no saneamento de forma produtiva, e com elevado relação custo x beneficio. Pois os investimentos na aplicação da automação, se justificam pelos resultados de melhoria no sistema de abastecimento, pois todo controle se dá em tempo real, além da redução do custo operacional.

Em um sistema com gerenciamento no “escuro”, quando o responsável pelo abastecimento de água da cidade é alertado por uma notificação do consumidor que está faltando água no bairro lagoa azul, no setor sul da cidade, a sua primeira providencia é enviar uma equipe para inspecionar o booster que alimenta o setor com falta d’água, e daí por diante é uma insana procura, por uma causa, que geralmente é, uma falha elétrica, uma falha mecânica, ou um rompimento, ou entupimento de rede pelo bloqueio de uma cunha de registro avariado, gasta-se com este procedimento um elevado tempo, e um desgaste com o público consumidor, que não aceita ficar sem água, que ocorre nos momentos em que ele mais precisa, exigido do mesmo uma despesa adicional com a aquisição de caminhões pipa.

Em um sistema Automatizado, com um investimento inferior a R$ 10.000,00 o sistema de controle estaria monitorando em tempo real, a pressão em um ponto critico do bairro lagoa azul, assim como o estado de funcionamento do Booster responsável pelo seu abastecimento, e ocorrendo uma ausência de energia, uma falha mecânica, ou um rompimento de rede, um sistema de alarme é acionado, e a equipe de manutenção é deslocada para fazer o reparo em tempo Record, e o usuário do sistema nunca irá perceber a falha, pois não haverá tempo de secar a sua caixa d água.

Observe a sobrecarga do custo da empresa que opera no escuro, deslocando pessoal, perdendo precioso tempo, e comprometendo o índice de atuação da empresa.

Por comando realizados por telemetria, várias unidades da empresa são monitoradas a partir de um único centro de controle, e os resultados positivos obtidos são notadamente visíveis em relação a redução de perdas, de custos operacionais, e de benefícios ao público consumidor.

Dentre estes controles é sugerida uma implantação progressiva, com destaques para os seguintes controles em regime prioritário:



a) Controle operacional de booster (Tempo de funcionamento, Liga/desliga, energia, pressão de trabalho, invasão)

b) Controle de pressão em pontos estratégicos da rede de distribuição (Pressão mínima, alarme, e máxima)

c) Controle de níveis dos centros de reservação (Nível mínimo, alerta, extravasamentos)

d) Instalação de válvulas de controle em pontos estratégicos da rede (Pressão, vazão)

 
beneficios imediatos com a automação
 
 Otimização de mão-de-obra e valorização do operador;



 Sistema livre de pagamento de taxas mensais / anuais;


 Economia de Energia através da otimização da operação;


 Monitoramento on-line 24h/dia;


 Análises de possíveis falhas;


 Menor custo de implantação;


 Maior flexibilidade de interfaceamento com painéis existentes;


 Diagnóstico por setores;


 Controle integrado;


 Sistema automatizado;


 Controle através de sistema supervisório;


 Manipulação de grandezas a distância;


 Outros.

Em suma, uma empresa que “opera no escuro”, tem um elevado custo operacional, representado pelo excesso de pessoal, elevado desperdício de energia, e custos de manutenção.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

TARIFA DE EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DE ÁGUA & ESGOTO

Sempre que lemos na mídia, o maior argumento dos contrários a participação da iniciativa privada na gestão dos Sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário é a tarifa que será cobrada, argumentando que não poderá ser suportada pelos clientes do serviço.

A legislação desta matéria é antiga e nos remete ao ano de 1.995, com a lei 8.987 de 13/02/1.995, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, assim em seu Art. 6o temos:

Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato.

§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.

(Modicidade da tarifa é uma tarifa acessível para todos os cidadãos, isto é, para que com o salário mínimo se consiga pagar a água consumida).

Para garantia desta condição a lei em seu Art. 9o esclarece:

A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato.

Portanto tudo começa no edital de convocação para participação no processo licitatório, neste momento o Poder executivo fixa a tarifa inicial, que é denominada TRA, e TRE (Tarifa Referencial de Água e Tarifa Referencial de Esgoto respectivamente), e o que se pratica historicamente é a manutenção da tarifa vigente na data da licitação, ou seja, a tarifa só poderá ser reajustada a partir de um ano de serviço concedido, e por meio das regras que devem ser cristalinas no edital.

Historicamente a tarifa tem uma regra composta por uma “cesta” de insumos onde estão presentes os seguintes custos:

- Salários dos empregados

- Energia elétrica

- Produtos Químicos

- Insumos de manutenção do sistema, representado pelo IGPM



Portanto fixado a tarifa inicial, que em Cuiabá seria igual a 1,99/m³, (TRA=1,99) depois de decorrido um ano de vigência desta tarifa deve-se fazer uma avaliação da variação dos custos dos insumos da “cesta”, e definir o valor do índice de reajustamento da tarifa que deverá ser suficiente para a garantia de um serviço adequado por mais um período de 01 ano. Esta nova tarifa deve ser avalizada pela Agencia Reguladora e homologada pelo executivo municipal que é o titular dos serviços.

Portanto se o mercado permanecer estável, obviamente que não haverá significativo impacto da tarifa, é uma regra de mercado necessária para que o investidor possa garantir os compromissos contratuais com o equilíbrio econômico financeiro do contrato de concessão.

Existe uma regra que não pode ter a tarifa como um impedimento de avanços na gestão dos serviços de água e esgoto, em diversas regiões do país onde o poder público mostra-se ineficiente, e irá demorar séculos para garantir um serviço adequado a sociedade. Não se pode avaliar uma concessão apenas pela ótica da tarifa que é controlada pelo poder público e pela sociedade representada pela agencia reguladora. O que não ocorre com as empresas com gestão pública, que ausentes de controle regulador, praticam uma das maiores tarifas entre as empresas prestadoras de serviço de água e esgoto de MT.

A água tratada é um produto industrializado com elevado custo em sua produção, devendo ser vendida a semelhança da energia, do gás, e de outros bens de consumo. Para o uso essencial uma familia necessita de um volume mensal inferior a 20.000 l durante um mês. O que  resultará em uma conta de R$ 44,20 em Cuiabá, que deverá ser paga sob pena de cobrança judicial, pois afinal o cidadão beneficiou-se de um bem industrializado que é vendido com entrega a domicilio.
 
não há espaço portanto para filantropia neste segmento, exceto a tarifa social que previlegia os clientes de baixa renda que se enquadram em uma condição regulamentada pela empresa prestadora de serviço, que deve utilizar-se de todos os meios para garantir a receita necessária para continuar prestando um serviço adequado a população.
 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ÁGUA UMA DÁDIVA DIVINA – Parte 2

Fonte: Rio Cuiabá

O Rio Cuiabá transporta em seu curso 100.000 litros de água por segundo, quando do período de estiagem. Esta quantidade de água é um presente divino para todos os seres humanos que habitam o planeta terra, e se concentram nas regiões do vale do Rio Cuiabá, como Nobres, Rosário Oeste, jangada, Acorizal, Guia, Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antonio e Barão de Melgaço. Esta água é gratuita, e regulamentada pelo Governo Federal por meio da Lei 9.433/97 denominada lei das águas, que em seu Artigo Primeiro já define:

Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

Na secção IV, a lei trata DA COBRANÇA DO USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 19. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos.

RESUMINDO:

1. A água é um presente de Deus

2. O governo federal legisla o seu Uso pela lei 9.433/97

3. A água que as empresas utilizam em seu processo de produção não será gratuita, pois o governo federal irá cobrar uma cessão de uso.

Neste contexto vamos analisar duas importantes empresas que usam a água do Rio Cuiabá como matéria prima para o seu produto; a primeira é a AmBev, e a segunda é a Sanecap, ou DAE VG.

1 – A AmBev

A água é responsável por cerca de 90% da fórmula da cerveja. Para produzir 1 litro de cerveja é necessário, em média, de 10 litros de água.

Há dez anos, a empresa AmBev, trabalha para melhorar seu processo e consumir menos água. No ano passado, conseguiu em algumas fábricas ultrapassar o benchmark mundial de consumo, de 3,75 litros de água para cada litro de cerveja produzido. Em 2006, a unidades de Curitiba atingiu o índice anual de 3,49 litros de água por litro de cerveja. Foi uma evolução rápida. Em 2001, a quantidade de água usada pela AmBev para produzir um litro de bebida era de 5,62 litros de água por litro de cerveja.

 
As fábricas da AmBev estabelecem metas de consumo de água para cada área de trabalho e procuram superá-las constantemente. As unidades realizam treinamentos internos para discutir com funcionários a importância da preservação ambiental e vistoriam os equipamentos para evitar vazamentos. Além disso, a AmBev faz um trabalho de reaproveitamento de água. O que é usado em serviços como lavagem de tanques, garrafas e limpeza em geral é reutilizada, por exemplo, para regar plantas. A água que resfria algumas das máquinas também não é desperdiçada, sendo reutilizada em outros processos.

Há alguns anos, percebemos que a máquina que lavava as garrafas funcionava ininterruptamente. Bastou alterar o sistema, de maneira que ele não funcionasse entre uma garrafa e outra. A economia chegou a 38% do que anteriormente era gasto. Uma medida simples, mas bastante eficiente. (Fonte: Revista ÉPOCA)

Resultado: A indústria de Cerveja consegue reduzir o seu custo de produção, suas perdas, e assim coloca um produto no mercado com preço competitivo.

Fluxograma de produção da Cerveja:


Água Bruta no Rio Cuiabá---Captação no Rio Cuiabá---Transporte da água Bruta para a fábrica (ETA)---Tratamento da água bruta----Adição de Componentes ---Produto final: Cerveja

2 – As Empresas de Saneamento

A ÁGUA BRUTA é responsável por 100% da fórmula da água tratada. Para produzir 1 litro de água tratada é necessário, em média, de 1,10 litros de água bruta.

Fluxograma de produção da Água Tratada:

Água Bruta no Rio Cuiabá---Captação no Rio Cuiabá---Transporte da água Bruta para a fábrica (ETA)---Tratamento da água bruta----Adição de Componentes ---Produto final: Água Tratada

No processo de produção de água tratada existe um elevado custo envolvendo; Pessoal, energia, instalações, produtos químicos, manutenção de equipamentos, etc....temos portanto um produto industrializado que será disponibilizado para venda.

Na composição do preço de venda todos os itens de produção devem ser contemplados, com uma parcela proporcional a sua participação no custo, o que na atualidade é de R$ 1,99 o preço de cada 1.000 litros entregue a domicilio pela Sanecap aos seus usuários que consomem até 10.000 l por mês, elevando-se a R$ 13,44 para cada 1.000 litros para consumos acima de 30.000 l por mês.

A partir do instante em que a Indústria de água tratada, ou a de Cerveja, transforma a matéria-prima que é a água bruta do Rio Cuiabá, em produtos, que em seguida serão comercializados tendo utilizado um elevado capital neste processo produtivo, este produto deixou de ser dadiva divina para compor um item de consumo industrial.

Historicamente as Empresas de saneamento não acompanham o crescimento das cidades, e não garantem a universalização do Serviço de entrega a domicilio de água tratada, não evoluíram em atualizar a tecnologia de seus serviços, bem como são irregulares na distribuição, o que significa a não prestação de UM SERVIÇO ADEQUADO a população das Cidades em que atuam. Compromete ainda o serviço a elevada perda entre o processo de produção e venda, atingindo valores próximos de 60%. Na AmBev este valor conduziria à empresa a falência, pense em produzir 100 litros e só vender 40 litros, esta é a realidade das empresas de saneamento.

No tocante a Tarifa de água tratada, em sua composição não está inserida os recursos necessários para INVESTIMENTOS, assim as empresas de saneamento não tem capacidade de capitalizarem para promover os investimentos necessários a universalização dos serviços, implicando na necessidade de recursos externos, quer seja da iniciativa privada, ou pública por meio de financiamentos ou emendas.

Resultado: O SERVIÇO ADEQUADO, que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas, fica impossível de serem alcançadas, com recursos advindos exclusivamente de tarifas, e assim as empresas estarão sempre defasadas em relação às necessidades básicas do publico consumidor.

                                                                       Gambiarras em áreas desprovidas de redes de distribuição