sábado, 25 de dezembro de 2010

TRATAMENTO DE ÁGUA - OSMOSE REVERSA

TRATAMENTO DE ÁGUA - OSMOSE REVERSA


Qualquer processo de tratamento de água, tem como objetivo a separação de um solvente de um soluto. Um processo de separação é um processo que permite separar componentes de uma mistura, tanto em pequena escala, como nos laboratórios, quanto em grande, como nas estações de tratamento, e diversas outras. Existem diversos processos, destinados a fins diferentes sendo que dentre os processos de separação de um soluto destacam-se:

• Destilação

• Decantação

• Evaporação

• Filtração

• Flotação

• Processos de separação por membranas

Vamos nos concentrar no processo de separação por membranas, também denominada osmose inversa, onde as membranas retêm partículas cujo diâmetro varia entre 1 e 10 Å, sendo 1 angstrom = 1.0 × 10-10 metros

As partículas retidas são solutos de baixa massa molecular como sais ou moléculas orgânicas simples, e sendo a água um solvente inorgânico, polar, chamado frequentemente de "solvente universal" tem facilmente dissolvidas muitas substâncias.

Para que seja possivel ocorrer ocorrer a separação por membranas, deve-se aplicar uma grande pressão sobre o meio aquoso, o que contraria o fluxo natural da osmose. Por essa razão o processo é denominado osmose reversa.

Os usos da osmose reversa são diversos, sempre relacionados à separação de ions. Dentre os quais destaca-se:

Dessalinização de água do mar: Tanto para consumo humano quanto para outros processos, onde a membrana de Osmose Reversa pode reduzir a concentração de cloreto de sódio de 35.000 mg/L para 350 mg/L.

Irrigação: Um dos problemas da agricultura é a acumulação de sais no solo em função da irrigação com água de rios ou poços. A partir de certo patamar os sais tornam-se nocivos às plantações. A Osmose Reversa é capaz de remover este excesso de sais de forma economicamente viável.

Alimentação de caldeiras: Caldeiras exigem água puríssima, pois a evaporação da água causa a incrustração da superfície dos tubos pelos sólidos presentes na mesma, reduzindo a transferência de calor, aumentando o consumo de combustível e o risco de explosões. A osmose reversa, têm sido o tratamento mais utilizado nestes casos.

Produção de produtos químicos: Hospitais, conglomerados farmacêuticos e laboratórios utilizam o processo de Osmose Reversa para garantira máxima pureza em seus produtos. Processos de hemodiálise são alimentados com água desmineralizada ou destilada.

Recuperação de águas residuais na indústria: Concentração de sucos, proteínas e vinho na indústria alimentícia.

A osmose Reversa

Osmose pode ser descrita como um movimento físico de um solvente através de uma membrana semipermeável, baseada na diferença do potencial químico entre duas soluções separadas por essa membrana.

O exemplo a seguir serve como demonstração e esclarecimento desta matéria. Um recipiente de boca larga com água, conforme fig. 1 é dividido no meio por uma membrana semipermeável. A linha tracejada representa a membrana semipermeável. Iremos definir a membrana semipermeável como falta de capacidade para difundir qualquer outra substância, além do solvente, neste caso moléculas de água.

                                                                        Figura 1

Agora adicionaremos um pouco de sal de cozinha (NaCl) à solução de um lado da membrana (Fig. 2). A solução de água salgada tem um maior potencial químico, do que a solução de água do outro lado da membrana. Num esforço para equilibrar a diferença no potencial químico, a água começa a difundir pela membrana, de uma lado através da água, e de outro lado para a água salgada. Este movimento é a Osmose. A pressão exercida por esta transferência de massa é conhecida pela pressão osmótica.

                                                           Figura 2

A difusão da água irá continuar até que uma das duas reservas seja conhecida. Uma reserva pode ser a solução essencialmente de equilíbrio, pelo menos até que ao ponto em que a diferença restante no potencial químico é compensado pela resistência ou perda de pressão de difusão pela membrana. A outra reserva é que a coluna em elevação de água salgada exerce pressão hidrostática suficiente para limitar outras difusões. Observando-as, podemos mensurar a pressão osmótica da solução, observando o ponto em que a pressão principal impede outras difusões.

Exercendo uma pressão hidráulica maior do que a soma da diferença de pressão osmótica e a perda de pressão da difusão pela membrana, podemos utilizar a água para difundir na posição contrária (Fig. 3), na solução de maior concentração. Isto é a osmose reversa. Quanto maior for a pressão aplicada, mais rápida é a difusão. Utilizando a osmose reversa, estamos aptos a concentrar diversos solutos, tanto dissolvidos como dispersos em uma solução.

                                                                           Figura 3

Tipos de Membranas

Existem vários tipos de membranas, podendo ser citadas as do tipo:

1. - Acetato de Celulose

2. - Poliamidas Aromáticas-Aramidas

3. - Poliamidas Hidrazidas: por serem fibras finas e ocas, possuem uma estrutura, mas fechada, possibilitando trabalhar com água do mar com salinidade de 45.000 ppm.

4. - Poliamida de composição avançada

5. - Polisulfonas – polisulfonadas:

Desempenho das Membranas

As causas abaixo podem alterar o desempenho e o tempo de vida das membranas utilizadas como osmose reversa.

1. - pH da água: a variação de pH nas faixas fortemente ácidas ou fortemente alcalinas afeta as diferentes membranas utilizadas.

2. - Temperatura: As membranas de acetato de celulose se hidrolizam, quando a temperatura da água excede 30º.

3. - Compactação ou Deformação Física: estes problemas podem acontecer nas membranas, quando as pressões de bombeamento da água bruta excedem de 90 kgf/cm2.

4. - Cloro livre: sendo o cloro livre um agente oxidante energético, ele pode afetar a maioria das membranas, sendo nestes casos, necessária a decloração da água bruta.

5. - Fouling: É produzido no interior da membrana, pela associação de sólidos suspensos e material biológico.

6. - Incrustações: na malha de membrana, a água bruta precipita dureza temporária, carbonato de cálcio e hidróxido de magnésio e dureza permanente, sulfato de cálcio. A dureza temporária é impedida de precipitar, trabalhando-se com valores de pH da água bruta, entre 4,5 – 5,0. A dureza permanente é impedida de precipitar, dosando-se continuamente, um antiincrustante específico para sulfato de cálcio.


Vídeo:

Um ovo é colocado no xarope de milho durante 60 minutos para mostrar osmose. O óvulo é então colocado em água doce para mostrar o efeito inverso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA

APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA

A captação de água da chuva é uma prática muito difundida em países como a Austrália e a Alemanha, onde novos sistemas vêm sendo desenvolvidos, permitindo a captação de água de boa qualidade de maneira simples e bastante efetiva em termos de custo-benefício. A utilização de água de chuva traz várias vantagens:

• Redução do consumo de água da rede pública e do custo de fornecimento da mesma,

• Evita a utilização de água potável onde esta não é necessária, como por exemplo, na descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins, lavagem de pisos, etc.;

• Os investimentos de tempo, atenção e dinheiro são mínimos para adotar a captação de água pluvial na grande maioria dos telhados, e o retorno do investimento é sempre positivo;

• Faz sentido ecológica e financeiramente não desperdiçar um recurso natural escasso em toda a cidade, e disponível em abundância no nosso telhado;

• Ajuda a conter as enchentes, represando parte da água que teria de ser drenada para galerias e rios.

• Encoraja a conservação de água, a auto-suficiência e uma postura ativa perante os problemas ambientais da cidade.

O armazenamento e o reaproveitamento da água de chuva costumava ser um tema relativamente "esquecido" pelos nossos legisladores, mas nos últimos anos, sugiram em algumas cidades brasileiras leis para tratar do assunto.

A prefeitura da cidade de Curitiba, tem uma legislação exemplar. Primeiro, instituiu em 2003 o Programa de uso Racional de Água e Esgotos (Lei PURAE 10.785/03). No ano de 2006, houve a regulamentação da lei através do Decreto Municipal 293/06 onde ficou estipulado, entre outras coisas, que as novas edificações na cidade não obterão o alvará de construção, caso não prevejam e instalem um sistema de reaproveitamento de água de chuva.
Outro exemplo ocorreu à cidade de São Paulo com o objetivo de minimizar as enchentes. Desde a 1999, é obrigatório para as novas construções com mais de 500m2, "Lei das "piscininhas", a retenção da água da chuva em reservatório específico pelo período de uma hora e a sua posterior liberação nas galerias públicas, após o pico de chuva.

Na cidade de Matão-SP, o Projeto de Lei 042/06, é dedicado exclusivamente ao reuso de água de chuva. Mais ainda, prevê expressamente a possibilidade do município conceder incentivos fiscais àqueles que construírem em seus imóveis sistemas de captação.

Por enquanto ainda não temos conhecimento de nenhuma lei do governo criando um imposto sobre a chuva, porém....

Para se obter continuamente água de boa qualidade, com segurança, pouca manutenção e baixo custo operacional, além de um sistema com equipamentos adequados são necessários alguns cuidados:

• Contar com o suporte de um profissional responsável pelo projeto:

• Atentar às normas de segurança sanitária, como separar o sistema estritamente do de água potável (de acordo com regulamentos locais) e identificar todos os componentes (reservatórios, torneiras, bacias,etc.) dentro do sistema como para finalidades ÁGUA DE CHUVA/NÃO-POTÁVEL.

• O projeto do sistema de água de chuva deve estar em acordo com os padrões/normas de construção (que garantem a drenagem do edifício, mesmo com rompimentos no sistema, nenhuma limitação na área seccional e ventilação do sistema de drenagem).

• Captar água de chuva somente de superfícies apropriadas como telhados, evitando-se áreas inadequadas, sujeitas a poluição ou contaminação.

• Realizar a filtragem fina da água antes desta entrar no tanque de armazenamento e assegurar que a sedimentação nos tanques de armazenamento funcione sempre, usando dispositivos para reduzir a velocidade de entrada e saída de água no reservatório.

• Proteger os reservatórios contra a entrada de material externo e vazamento de água, não o expondo tampouco à luz e ao calor.

As últimas chuvas mostraram mais uma vez que a cidade precisa adotar outras técnicas para impedir alagamentos e enchentes. Uma solução a ser utilizada é o aproveitamento de águas pluviais que também traz retorno para um planeta sustentável.

A vantagem da instalação do projeto de aproveitamento de água de chuva, em uma casa, comércio, prédios, fábricas ou um empreendimento traz economia de água potável, retorno financeiro em torno de 2 anos e contribuição para o meio ambiente e redução de enchentes. “A água de chuva que cai sobre os telhados ou pisos é encaminhada para a sarjeta na calçada ou para a rede de águas pluviais, sendo desperdiçada pela rede pública”.

Em nosso planeta, 97% da água é salgada e 3% é doce. Desses 3%, 75% são geleiras e lençóis de gelo, 13% são as chamadas águas profundas localizadas entre 2500 e 12.500m e 11% são de águas subterrâneas. Então, o que temos disponível para consumo da população é de apenas 1% dos 3% de água doce, ou seja, 0,03% de toda a água da Terra. É ou não um forte argumento para buscar economia de todas as formas?

Quanto ao custo da obra, cada caso é um caso e depende muito das condições físicas da obra. A manutenção é feita periodicamente a cada 6 meses. As etapas de implementação correspondem a projeto, obra e montagem. “Após isto é necessário apenas acompanhamento técnico no início de operação, pois depois o sistema entra na rotina normal de funcionamento”.

Os equipamentos são fáceis de serem instalados, desde que a infra-estrutura seja bem preparada. Utiliza Filtro Vortex, freio d’água, filtro flutuante, multi-sifão, kit de interligação e bomba de recalque.



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PER CAPTA - CONTINUAÇÃO



As perdas de água em um sistema de abastecimento ocorrem de forma continua e podem ser classificadas de diversas formas, entendo como sendo a mais letal a inconsciente, e ocorre nas ligações desprovidas de medidores; nestas ligações o cidadão ignora “um pequeno vazamento” na torneira, no vaso sanitário, e o ladrão da caixa d´agua está constantemente jogando água fora.

 A idéia é que isto significa muito pouco e não irá fazer diferença no abastecimento. E para ilustrar o que representa um “inocente” vazamento, improvisamos um recipiente e o calibramos com o volume de 1(um) litro, e medimos o tempo gasto para encher este volume com uma mangueira que drenava água proveniente do resfriamento de uma gaxeta de bomba de eixo horizontal.



Resultado:

Volume Utilizado: 1,0 litro

Tempo médio para enchimento: 7 segundos

Vazão: Volume/tempo = 1/7 = 0,14 litros / segundo ou 514 l/hora ou 12.342 l/dia ou 37.000 l/mês...

Ou seja, um volume suficiente para abastecer 16 residências medidas

É evidente que a “olho nu” vai sempre parecer insignificante um pequeno vazamento, e não estando afetando o bolso, vai-se postergando o conserto, e o resultado final em um bairro é uma perda superior a 50%. Ou seja, para suprir o abastecimento de forma normal, têm-se que disponibilizar um volume 50% superior, acarretando elevação de custos com energia, pessoal, produtos químicos etc.

As fugas de água se apresentam ainda de forma “não visível”, são fugas que ocorrem sob o asfalto e drenam nas galerias, ou em vazamentos nos ramais de residências e drenam sob o piso, e que somente com pesquisas acuradas é possível detectá-las.

Nas residências, é possível zerar as perdas, e mesmo assim por algum descuido, é possível que o cidadão pague por um volume que foi desperdiçado. Porém nos sistemas de abastecimento de água, o custo é muito elevado para zerar as perdas, daí um marco convencional de 20%, é o nível de tolerância que se deve buscar, e que somente é conseguido se houver 100% das ligações controladas com hidrômetro.

Finalizando: A continha do per capta, é muito bonita no projeto, vai funcionar se o sistema for implantado com medição total, e fora deste contexto, é sonhar, ter prejuízos, contabilizar reclamações, e buscar recursos para encher o tonel furado.



















PER CAPTA -  A CONTA QUE NÃO “FECHA”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PER CAPTA - A CONTA QUE NÃO “FECHA”

PER CAPTA - A CONTA QUE NÃO “FECHA”

Quantidade de água necessária, para o abastecimento público, com um serviço adequado, ou seja, com quantidade suficiente, qualidade, continuidade com fornecimento de água 24h, universalidade etc.

Fase 1 – Na mesa do Projetista

A escolha do manancial que irá servir de fonte de abastecimento de uma cidade está condicionada à sua capacidade ou não de atender às necessidades da comunidade, no que diz respeito ao consumo atual requerido, bem como a previsão do aumento do consumo da comunidade no futuro, em função do seu próprio crescimento. Todo e qualquer sistema é projetado para servir uma comunidade, por um certo espaço de tempo, denominado de período do projeto, e para fazer o cálculo do consumo provável, é necessário conhecer:

• População a ser servida;

• Consumo "per capita", ou seja, a quantidade média diária gasta por cada um dos consumidores.

• Variação horária e variação diária do consumo.

Nos projetos, costuma-se fazer uma estimativa da população, a qual se baseia em:

• População atual;

• Número de anos durante os quais vai servir o projeto (período de projeto);

• Taxa de crescimento da população.

O homem não só precisa de água de qualidade satisfatória, mas também em quantidade suficiente para satisfazer suas necessidades de alimentação, higiene e lazer, entre outras. Hoje se considera a água do ponto de vista sanitário, de grande importância no controle e na prevenção de doenças. Normalmente a água é gasta das seguintes maneiras:

a) Água para fins domésticos

É a que serve à bebida, ao banho, à lavagem de roupa e de utensílios, à limpeza de casa e aguação do jardim, às abluções e a descarga da privada.

b) Água para fins comerciais

É a água gasta em restaurantes, bares, escritórios e demais estabelecimentos comerciais.

c) Água para fins industriais

É a água utilizada na transformação de matéria prima ou a água que entra na composição do produto beneficiado e também a água para irrigação.

d) Água para fins públicos

É a água utilizada nos edifícios públicos, nas fontes dos jardins públicos e para a limpeza pública.

e) Água para fins de recreação

É a água utilizada nas piscinas de recreio e de esportes.

f) Água para fins de segurança

É a água utilizada para combate a incêndios.

O consumo médio de água por pessoa por dia, conhecido por "consumo per capita" de uma comunidade é obtido, dividindo-se o total de seu consumo de água por dia pelo número de pessoas servidas. O consumo de água depende de vários fatores, sendo complicada a determinação do gasto mais provável por consumidor.

No Brasil, costuma-se adotar quotas médias "per capita" diárias de 120 a 200 litros por pessoa.

Na zona urbana, a variação é motivada pelos hábitos de higiene da população, do clima, do tipo de instalação hidráulico-sanitária dos domicílios e, notadamente, pelo tamanho e desenvolvimento da cidade.

Na zona rural, o consumo "per capita" é influenciado também pelo clima, pelos hábitos de higiene e pela distância da fonte ao local de consumo.

Segundo a literatura técnica, o consumo mínimo de água/pessoa por dia para fins domésticos é de:

- Água para a bebida ......................... 02 litros

- Alimentos e cozinha ........................ 06 litros

- Lavagens de utensílios ......................09 litros

- Lavagens de roupas .........................15 litros

- Abluções diárias ............................ 05 litros

- Banho de chuveiro ..........................30 litros

- Aparelhos sanitários ........................10 litros

T O T A L ....................................... 77 litros


Nos projetos de abastecimento público de água, o "per capita" adotado varia de acordo com a natureza da cidade e o tamanho da população. A maioria dos órgãos oficiais adota 200 litros/habitante/dia para as grandes cidades, 150 litros/habitante/dia para médias e pequenas. A Fundação Nacional de Saúde acha suficiente 100 litros/habitante/dia para vilas e pequenas comunidades. Em caso de abastecimento de pequenas comunidades, com carência de água e de recursos é admissível até 60 litros/habitante/dia.

Cada município do estado possui uma densidade habitacional, levantada pelo IBGE, e varia de 3 a 5 hab./residência, assim adotando o valor máximo de 5 (cinco), e um per capita de 200 l, teremos um volume por residência de 1.000 l/ligação. Ou 30.000 l/mês.

Muito simples, agora inclui-se os coeficientes K1 e K2, e dimensiona-se a produção, adutoras, reservatórios, redes e ligações.....Constroi-se ......Não instala medidores.......e, começa as manobras de registros, “pois não temos água suficiente”



Fase 2 – A Realidade:

Como o sistema de oferta de água foi construído sem limitação de consumo pelo bolso do cliente, aparece um vilão denominado PERDAS, que no Brasil é em média 50% e tem empresas com valores acima de 70%.

Se o uso não for metódico, a tabela inicial de avaliação do per capita, não se realiza, e ele pode não tomar 02 litros de água por dia, mais vai jogar fora de forma consciente e de forma inconsciente um grande volume de água que irá fazer a diferença no fechamento da conta entre a quantidade disponível de água, e a necessidade de consumo..........(Continua na próxima postagem)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

PERDAS EM SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

PERDAS X EMPRESAS DE SANEAMENTO

Empresas Públicas

Na década de 70/80 as Empresas de Saneamento viviam o boom dos investimentos em infraestrutura, de um lado o BNH como agente financeiro, e do outro as Empresas assumindo as concessões dos municípios como condição de investimentos. Nos estados eram visíveis os canteiros de obras, financiados com uma regra simples:

1. A Empresa Projetava; Licitava e Fiscalizava em parceria com o Agente Financeiro.

2. As Empresas Consultoras, Construtoras e ou Montadoras executavam os serviços e recebiam diretamente do agente Financeiro, e

3. Em contrapartida a Empresa de Saneamento recebia uma comissão de 10% a titulo de taxa de administração, de todo montante investido.

Resultado desta Política:

No instante inicial, na fase de investimentos fartos, as Empresas iniciaram uma maléfica cultura, onde era muito fácil aos gestores administrarem uma Empresa com recursos externos e não aqueles por ela gerados; assim não tinham nenhuma importância se a evasão de receitas oriundas do faturamento com a venda de água fosse elevada, pois não era impedimento para a manutenção da folha de pagamento, e nem para o custeio da empresa. Assim não havia nenhum cuidado com a operação dos sistemas, que envolvia um controle de perdas, pois era sempre muito fácil ampliá-lo quando da falta d água. Foi um erro crucial que hodiernamente ainda não se conseguiu corrigir.

              Em meados dos anos 90, iniciou-se uma verdadeira cruzada de combate as perdas, e para tal, abriu-se uma linha de financiamento para um programa denominado PECOP – Programa Estadual de Combate as Perdas, e como havia recursos financeiros de sobra, todos embarcaram no bonde de combate as perdas, como se fossem prioritários, houve um leque de subprogramas financiando, o transporte, a informática, a gestão de pessoal, a reabilitação de obras recém construídas, entre outros programas..........e o objetivo final ficou descaracterizado, pois os programas de MACROMEDIÇÃO (saber o que se produz), e a MICROMEDIÇÃO (vender bem) não avançaram, alem de que, as Empresas de saneamento continuaram com a cultura de que basta ampliar mais a produção de água e tentar encher um tonel furado. É sempre a obra na frente da operação e da manutenção da Empresa. A prioridade é construir novas redes e ampliar ligações. Medir? Humm.. isto não é importante......
Empresas Privadas

As concessões assumidas por Empresas privadas em Mato Grosso, receberam sistemas sucateados e com a cultura herdade da antiga operadora a Sanemat, e regra geral a prioridade zero, foi implantar 100% de hidrômetros, cujos resultados foram imediatamente observados, com os seguintes benefícios:

1. Redução do Tempo de Funcionamento das Etas

2. Justiça na cobrança

3. Redução do custo de energia

4. Redução do custo com produtos químicos

5. Eliminação da falta d água

6. Redução das perdas

7. Redução das obras de expansão

8. ..............
Não é mágica, sem Hidrômetro não existe combate a perdas, e nem é possível uma operação satisfatória, o resto é “chover no molhado”.

Em ação conjunta o operador do sistema deve implantar a MACROMEDIÇÃO, que é um conjunto de ações que visando dotar o sistema de um controle macro, onde é possível confrontar o que se produz com o que se fatura, e identificar os vazamentos não visíveis, e que são em grande numero, principalmente em cidades com elevado padrão de urbanização.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

REDE DE DISTRIBUIÇÃO POR QUADRAS

REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA POR QUADRAS

Trabalho técnico apresentado no 11º Congresso Brasileiro da ABES em Fortaleza CE Set 1.981

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de documentar as observações do cotidiano da "operação" de Um Sistema de Abastecimento de Água, bem como o seu confronto com o que é teoricamente projetado para ocorrer na prática, no que concerne às redes de distribuição.
Considerando o custo e a importância das redes e das ligações domiciliares, bem como a quantidade destas instalações, esta componente do sistema limita-se as fases de projeto, implantação e eventual manutenção quando ocorre arrebentamento; e em se mantendo estas condições, o Autor estabelece critérios para que não haja distanciamento entre a Teoria & a Prática, e recomenda novas metodologias de cálculos para barateamento das obras, a partir do efetivo controle das ligações e sugere novos materiais. Inclui ainda um software desenvolvido com o aplicativo Excel, que permite a automatização de todo o dimensionamento da rede por quadras.

INTRODUÇÃO

O Estado de Mato Grosso teve o seu primeiro sistema de abastecimento de água implantado na cidade de Cuiabá (Capital), o sistema era composto de uma captação no Rio Cuiabá no Bairro do Porto e recebeu o nome de "hidráulica do Porto". Na época as Adutoras eram de aço e construídas com auxilio de calandras e soldas, (tubos "costurados"), as conexões eram rígidas através de juntas de flange, e as redes de Distribuição seguiam o mesmo padrão para os grandes diâmetros, porém, os pequenos diâmetros eram construídos de Ferro Galvanizado, sendo que as ligações domiciliares eram executadas em tubos de Ferro Galvanizado em diâmetro de 1/4, 3/8 e 1/2 polegada, e conforme registros da época, tudo funcionava muito bem, porém o progresso tecnológico chegou, e novos investimentos foram feitos utilizando o PVC nas redes e ramais, nesta fase o fator corrosão teve maior importância que os redutores de consumo, e as ligações passaram a ter diâmetros únicos de 3/4 de polegadas, incorporando como conseqüência os altos desperdícios das ligações não medidas, devido a uma oferta exagerada. Em nosso Estado o tubo de diâmetro 32 mm foi utilizado em condições tecnicamente incorretas ou em situações onde a falta de controle das ligações induziu à sua condenação, com o rótulo de "ineficiente para as redes de distribuição". Hodiernamente com o advento da necessidade de racionalização de custos e do controle de perdas, buscamos alternativas para o seu uso, motivo deste estudo.

3. RAMAL DOMICILIAR

3.1. VAZÃO DE PROJETO

Cabe ao Projetista estabelecer uma cota individual de consumo (per capta) fundamentado nas características regionais. Em alguns casos, porém, este parâmetro é imposto por normas em função das características dos clientes, do local, do tamanho dos imóveis e do número total de ligações.
É, portanto a partir deste valor que tudo se inicia, isto é, o per capta irá definir:

• O volume de água necessária para atender a demanda do projeto
• O diâmetro das redes
• O custo total da obra etc.

Assim em uma localidade cuja densidade populacional seja de 4,2 hab./domicilio, a variação do per capta terá as seguintes influências no volume final da demanda projetada.

Observe que o per capta tem um efeito multiplicador muito amplo, pois a sua variação é historicamente adotada com uma amplitude mínima de 50 L/hab./dia.

E no conforto da prancheta, o engenheiro limita um consumo Per Capta cujo resultado dependerá essencialmente da ocorrência simultânea de alguns dos seguintes fatores:

a) - Alta conscientização da sociedade e compromisso com a utilização racional;

b) - Existência de redutores de consumo, que consiste em um aparelho que instalado no cavalete, impede a passagem além de um volume pré estabelecido; ou

c) - Medição do consumo através de hidrômetros, seguida de cobrança proporcional ao uso.

d) O que assistimos porém durante décadas é que nenhum destes fatores acompanham a implantação das obras de abastecimento de água, e como conseqüência temos resultados desastrosos com insatisfação das populações beneficiadas com as redes e ligações, seguidas de criticas ao profissional projetista e mais acintosamente à empresa executora. Conseqüentemente para resolver o problema entra em ação as equipes de campo, munidos de ferramentas de Pitometria e produzem novos projetos "desmanchando" integralmente o original, pois geralmente constatam que:

e) - O abastecimento só e possível com a adoção de manobras (rodízio). E para garantir o rodízio são instalados novos registros e o que era para ser um sucesso de projeto vira um desastre. Com o consolo, porém de que com o aumento da produção de água, o bairro ou cidade passará ter água 24 h/dia. E em alguns casos a obra de ampliação chega e o problema não é resolvido, pois o desperdício é diretamente proporcional a oferta.


3.2. O RAMAL DE PROJETO

Nas condições de rede de diâmetro mínimo adotado de 60 mm, assenta-se um colar de tomada no tubo, e faz-se um furo com uma broca de diâmetro igual a 1/2" (meia polegada); ajusta-se um adaptador e conecta-se o ramal em tubo de polietileno de alta densidade (PAD) em diâmetro de 1/2", a seguir conecta-se um adaptador e é instalado um cavalete em ferro galvanizado no diâmetro de 3/4"

Pronto: Um novo usuário é conectado ao sistema de abastecimento, e na prancheta do projetista foi previsto que o mesmo iria ter um consumo de 150 l por cada habitante do imóvel, ou seja, uma média de 600 l/dia considerando uma ocupação de 4 hab. Por imóvel residencial.

A Realidade: Quando o engenheiro projetista estabeleceu a vazão de projeto por meio do Per capta Residencial, ele fundamentou-se em alguns parâmetros comportamentais, que somente irão ser concretizados, se a ligação domiciliar for dotada de HIDROMETRO, que vinculará custo a privilégios de se ter uma maior quantidade de água para utilização, em resumo:

“A VAZÃO DE PROJETO SOMENTE SE REALIZARÁ SE HOUVER O CONTROLE DO CONSUMO POR MEIO DO HIDROMETRO”

Todo sistema de abastecimento de água é projetado com a premissa de existência do hidrômetro, porém estes tem a instalação postergada, e o resultado final são sempre desastrosos, e insatisfatório do ponto de vista de um serviço adequado, pois a falta d´agua vai ocorrer, pois em um cavalete desprovido de hidrômetro a oferta é sempre muito elevada, pois um ramal que liga um barraco na favela é o mesmo que conecta as mansões, as escolas, ou até prédios de apartamentos; em um teste que realizamos no laboratório montado no pátio da Gercap, observamos por medidas físicas as seguintes vazões, em um reservatório situado em uma altura de 3,80 metros, com uma ligação de ½”.

Pressão Vazão na Torneira Vazão no Reservatório
Na Rede do Jardim (Litros/hora) (Litros/hora)

10 mca 1.263 698
15 mca 1.599 946
20 mca 1.895 1.043
25 mca 2.117 1.161

 A oferta no cavalete não medido, com uma pressão de 15 mca, representa um volume de 38.376 litros por dia, ou 1.151.280 litros por mês.

 Este Volume corresponde ao consumo de 77 ligações medidas

 Haverá previlégios de zonas baixas em detrimento de zonas altas exigindo assim a adoção de MANOBRAS.

Outros
Conclusão:

EM SISTEMAS NÃO MEDIDOS NADA SE REALIZA DO QUE É PROJETADO, e AUMENTAR A QUANTIDADE DE ÁGUA NO SISTEMA É COMO TENTAR ENCHER UM TONEL FURADO..
Continua com a proposta de redes por quadras, e micromedição.....

terça-feira, 23 de novembro de 2010

AGUA DE JARRA

ÁGUA NA JARRA

Durante algum tempo, resolvi fazer uma pesquisa e iniciei uma coleção de rótulos de garrafas de água, em diferentes locais do país em que visitava, e como é regra geral todas apresentavam em seu rótulo a composição físico química da água, onde estão presente os valores das características físico químicas, e a composição química de cada marca engarrafada. No item CARACTERISTICA FISICO QUIMICA, são evidenciados os valores do PH, a Condutividade elétrica, a temperatura da água na fonte, e resíduos quando evaporada, e a sua classificação.

Comentário:

A PORTARIA N.º 518, DE 25 DE MARÇO DE 2004 do Ministério da Saúde, estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, portanto independente de quem distribuída água para consumo humano, esta portaria deve ser obedecida. Nela é relevante o artigo 16 que transcrevemos:

Art. 16. A água potável deve estar em conformidade com o padrão de aceitação de consumo expresso na Tabela 5, a seguir:

Tabela 5 - Padrão de aceitação para consumo humano
PARÂMETRO UNIDADE VMP – Valor Máximo Permitido
Alumínio mg/L 0,2
Amônia (como NH3) mg/L 1,5
Cloreto mg/L 250
Cor Aparente uH(2) 15
Dureza mg/L 500
Etilbenzeno mg/L 0,2
Ferro mg/L 0,3
Manganês mg/L 0,1
Monoclorobenzeno mg/L 0,12
Odor - Não objetável(3)
Gosto - Não objetável(3)
Sódio mg/L 200
Sólidos dissolvidos totais mg/L 1.000
Sulfato mg/L 250
Sulfeto de Hidrogênio mg/L 0,05
Surfactantes mg/L 0,5
Tolueno mg/L 0,17
Turbidez UT(4) 5
Zinco mg/L 5
Xileno mg/L 0,3

(2) Unidade Hazen (mg Pt–Co/L).
(3) critério de referência
(4) Unidade de turbidez.

§ 1º Recomenda-se que, no sistema de distribuição, o pH da água seja mantido na faixa de 6,0 a 9,5.

§ 2º Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de abastecimento, seja de 2,0 mg/L.

Nos rótulos analisados, encontramos as seguintes informações, como características físico químicas das águas.

· PH - é a expressão usada para falar do grau de alcalinidade ou acidez da água. A acidez máxima, ocorre se seu pH é igual a 14. Um líquido neutro é, logicamente, de pH 7. Quando nos referimos a uma água de pH 7,2 estamos falando de uma água ligeiramente alcalina e quando falamos de um pH de 6,8 estamos falando de uma água ligeiramente ácida. Em nossa estatística os valores de todas as águas oscilam entre 4,0 e 5,0
· Condutividade elétrica a 25 graus centígrados 5 a 20 μS/cm
· Temperatura da água na fonte: 24 a 28 graus
· Resíduo de evaporação a 180 graus: 10 mg/l

Informações que não tem nenhum interesse quanto a qualidade da água.

Na composição química são informados os valores de Bicarbonato, cálcio, Nitrato, Potássio, Borato, Cloreto, sódio, Fluoreto, bário, Estrôncio, entre outros, com valores obviamente inferiores ao VMP do ministério da Saúde.

Por exigência legal as empresa de saneamento são obrigadas a publicar em suas contas os seus parâmetros de qualidade, e são objetivas e trazem o que interessa, como:

Turbidez
Cor aparente
Cloro residual
Coliformes Termotolerantes, e Ph

Portanto satisfaz todas as exigências da portaria 518 do Ministério da Saúde, o resultado no quesito qualidade, entre a agua de jarro e as aguas engarrafadas: EMPATE.

Se a água tratada ou engarrafada estiver dentro dos parâmetros de qualidade estabelecidos pela legislação pertinente, ela é segura para o consumo. Desta forma, é importante que se pense não sobre a origem, mas sim sobre como a água chegou até o consumidor. Assim podemos dar preferência àquela alternativa de consumo que causa os menores impactos para chegar até nós.

Muitas pessoas com grande preconceito em relação à água tratada pela concessionária pública. Muitas vezes isso acontece por falta de informação sobre a qualidade da água que nos serve e de que tanto dependemos. Todas as concessionárias públicas que cuidam do abastecimento de água estão obrigadas a seguir os padrões de potabilidade estabelecidos pela Anvisa, de acordo com os mais rígidos controles internacionais. O uso de um bom filtro purificador garante um duplo padrão de qualidade, retirando qualquer contaminação que possa ter acontecido durante o período de armazenamento em caixas d’água (que devem ser limpas periodicamente) e também o gosto do cloro residual que fica na água tratada. Buscar informações sobre o manancial de onde vem a água que chega até sua casa e sobre os cuidados adotados para protegê-lo é um exercício de cidadania e deve ser feito continuamente.

Uma iniciativa de uma Ong denominada água na jarra, realizou um teste cego da água durante o Congresso Mesa Tendências 2010, realizado pelo Senac/SP e revista Prazeres da Mesa, que teve como foco deste ano a sustentabilidade, com o tema: “O que a Gastronomia pode fazer pelo Planeta”. No estande alguns visitantes foram convidados a participar do teste cego da água. Os participantes degustaram dois tipos de água em jarra, uma delas com água tratada e filtrada proveniente de purificadores instalados no local, e a outra com água mineral de garrafa PET. Após a degustação o participante deveria dizer qual a origem de cada uma das águas provadas. Os resultados foram surpreendentes. Os percentuais de erro/acerto ficaram muito próximos e os que erraram ou ficaram em dúvida superaram o número dos que acertaram o teste.


Pela Lei das Probabilidades a chance de erro/acerto em um teste como esse é de 50%. Mas mais do que focar a questão da capacidade ou não de identificar a origem da água, o objetivo é provocar as pessoas a pensar a forma como esta água chega até elas. O consumo consciente é feito pela priorização das alternativas de consumo que causem os menores impactos socioambientais. Qual a escolha que cada um de nós está fazendo?

A Água na Jarra tem boa qualidade e é bem monitorada. Além disso, o uso de um purificador garante a eliminação de que qualquer contaminação que possa acontecer no armazenamento em caixas d’água. A grande questão é: como garantir que a nossa água continue sendo boa para beber? A resposta: isso depende de nós. Valorizar a água que chega até nossa casa significa valorizar os mananciais que abastecem nossa cidade, as áreas com vegetação, valorizar o trabalho das empresas públicas concessionárias e cobrar delas investimentos constantes para garantir a qualidade da água que nos é fornecida.
Algumas engarrafadoras ja consta em seu rotulo o termo: AGUA DE MESA é a mesma ÁGUA DE JARRO, ou como dizia no passado ÁGUA DA MORINGA.
Este texto é um convite a volta ao passado, tão saudável como atualmente

Fonte: www.aguanajarra.com.br

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

REDE DE DISTRIBUIÇÃO E O CRESCIMENTO DAS CIDADES

REDE DE DISTRIBUIÇÃO E O CRESCIMENTO DAS CIDADES

Iremos considerar em nossa análise duas situações bastante distintas, no processo de crescimento da Cidade; a primeira é o crescimento planejado, onde os imóveis possuem uma característica que não será mudada ao longo dos anos e, conseqüentemente a sua condição de consumo é permanente para um bloco edificado, esta é uma situação verificada na construção por exemplo de condomínios fechados, bastante difundido nos tempos atuais.

A segunda é o crescimento verticalizado, em áreas isoladas da cidade, que em um dado momento decorrente de algum fator que agregue valor, inicia-se uma verdadeira explosão de torres, adjacentes a uma determinada área, que em Cuiabá destacamos a região do Bairro Goiabeiras com a proximidade do Shopping de igual nome, e dos bairros Jardim das Américas, Paiaguás, Jardim Cuiabá, Parque Mãe Bonifácia entre outros.

Para o primeiro caso idealizamos um projeto em 1.996, onde as redes seriam construídas em bloco por quadras, e que em um tema especifico, iremos mostrar algumas de suas características; Porém para o segundo caso a situação é bastante complicada em decorrência de alguns fatores importantes. O primeiro é que em razão da não confiabilidade no serviço da empresa de abastecimento de água, os prédios são dotados de reservatórios subterrâneos de grande capacidade, e que em qualquer momento de despressurização da rede e conseqüente retorno, irá ocorrer uma falta d´água generalizada em seu entorno em decorrência de que a linha de pressão torna-se insuficiente para atender reservatórios de estabelecimentos com reservatórios acima da cota de 3,00m; ou seja as redes de distribuição não são substituídas, e ou reforçadas com a entrada de novas unidades de consumo, caracterizada como de grandes consumidores.

Quando o crescimento tende a aproximar-se do limite da área urbana, o agente dificultador é a falta de linhas tronco para atender a demanda, e geralmente a empresa cerceia o crescimento por sua incapacidade de atender a demanda em sua plenitude, recorrendo na maioria dos casos para soluções individualizadas com poços, que irá gerar uma elevada demanda de custos operacionais quando na sua execução não são instalados elementos de gerenciamento a distancia.

A situação do abastecimento de água ainda é agravada quando registramos que o último centro de reservação da área abrangida pelos sistemas que atendem a região central de Cuiabá foram executados na década de 70, e portanto temos uma grande defasagem de reservatórios, que devem operar garantindo o abastecimento nas horas e dias de maior demanda. Conclui-se, portanto que mesmo com um grande esforço da equipe técnica, com elevada dedicação no objetivo de garantir o abastecimento com as características de serviço adequado que contemple a segurança, a continuidade, a regularidade, é praticamente impossível evitar as “prejudiciais manobras”, pois a solução está vinculada a investimentos em diversos setores da Cidade, e assim não há como fazer mágica, em uma cidade com deficiência de reservação, medição, e redes, e com um crescimento verticalizado nas zonas adensadas, e horizontalizado nas zonas periurbana, a Cidade cresce e exige contrapartida de investimentos em infraestrutura.

domingo, 24 de outubro de 2010

BOOSTER

BOOSTER Parte 2


Inovações Tecnológicas


Com o advento do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, a Sanecap elaborou um Plano Diretor de Abastecimento de Água, com vista a universalizar o Abastecimento de Água, em Cuiabá na região de abrangência da ETA Tijucal. Todo plano teve o seu inicio de implementação, porém foi interrompido e aguarda decisões para a retomada das obras, que prevê:


· Um centro de reservação no Distrito Industrial, no Bairro Nova Esperança, e no Pedra 90
· Um centro de reservação no Carumbé
· Um centro de reservação no Santa Cruz
· Um centro de reservação no Altos da Serra
· Um centro de reservação no Belvedere


Estes centros de reservação irão resolver um crucial problema de Cuiabá que é a insuficiência de reservatórios. E em consonância com uma concepção moderna e econômica de abastecimento, as regiões adjacentes a estes reservatórios, por não possuírem cota favorável a distribuição por gravidade, deverão ser atendidas por Boosters instalados junto ao Reservatório Apoiado e deverão ser dotados das seguintes características:


1. Motorização inteligente com a utilização de inversores de freqüência, e CLP’s que irá disponibilizar um volume de abastecimento em consonância com a demanda.


2. Monitoramento da energia elétrica, da pressão na rede, do tempo de funcionamento e do nível do reservatório.


3. Monitoramento de segurança com alarme de invasão na área das instalações.


As informações são transmitidas via rádio ou rede celular, e são controladas em um centro de controle operacional instalado na sede da Sanecap.


Atualmente já se encontra em operação o monitoramento de alguns pontos, devendo a rede ser estendida a todos os novos Boosters a serem instalados nas obras do PAC. Assim será possível identificar em tempo real quando qualquer anomalia causar o desabastecimento de uma área da cidade, promovendo uma atuação rápida das equipes de manutenção, assim como em alguns pontos da rede estão previsto monitoramento da pressão em pontos estratégicos, que irão fiscalizar diuturnamente a condição de cada setor de abastecimento da cidade; é a tecnologia presente em uma área que sempre foi operada no achismo e no escuro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BOOSTER


BOOSTER – Parte 1


Quando o sinal da TV está muito fraco, o som está quase inaudível, a energia com voltagem abaixo do limite, recorresse a um reforço do sinal, com um dispositivo que denominamos BOOSTER, ou seja, o Booster tem a função de reforçar algo que recebemos com a intensidade abaixo da nomina.


No Saneamento adotou-se a mesma nomenclatura para o reforço da pressão na rede de distribuição, assim quando um determinado setor da cidade está com uma pressão insuficiente para atingir as caixas d’água da área a ser abastecida, recorre-se a instalação de um Booster como solução definitiva do problema. Em Cuiabá o primeiro Booster a ser instalado buscava atender o abastecimento do bairro Shangrilá, e por ausência de conhecimento técnico optou-se por instalar uma bomba submersa, na posição horizontal, que fora garantida pelo fabricante como a solução do problema; sim demorou alguns dias e houve deterioração dos mancais e a solução foi descartada. Ato continuo, foi montado no local uma nova bomba submersa, porém agora instalada em uma camisa construída em um tubulão de 500 mm, especialmente projetado para este fim, e com o sucesso da instalação este projeto passou a ser disseminado como a solução para todos os casos onde a pressão era insuficiente para o abastecimento. Esta é a verdadeira solução “quebra galho”, pois como a cidade expandia vertiginosamente e não havendo recursos para adequar as redes, e atender a demanda expansionista da cidade, foi-se buscar a solução na instalação de Boosters, que na maioria das vezes era instalado em situações emergenciais, e com baixa qualidade de instalação, provocando um empecilho a mobilidade urbana, pois os locais escolhidos eram sempre as calçadas, por tratar-se de área pública, e disponível.


Com o decorrer do tempo observou-se que a vida útil dos equipamentos era muito pequena comparada com instalação semelhante em poços, e o custo operacional e de manutenção também se apresentava como muito elevado, e de forma generalizada estes equipamento foram substituídos por moto bombas de eixo horizontal, geralmente montada em regime de urgência devido à queima das bombas submersas, criando um ambiente esteticamente incompatível com a urbanização das cidades.


Ainda pela ausência de recursos financeiros, nenhum equipamento é dotado de inversores de freqüência, e nem de controle operacional de monitoramento remoto, gerando assim elevados custos com quebra de redes por excesso de pressão em períodos de baixo consumo, e não raras vezes a reclamação de usuários com falta d´água devido a pane de equipamentos que não são observados em tempo real.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

VALVULA CONTROLADORA DE PRESSÃO

VALVULA CONTROLADORA DE PRESSÃO

Em diversos trechos das redes de distribuição das cidades apresentam um grande desequilíbrio de pressões, motivada pelo relevo com condições favoráveis e excessivamente privilegiada das zonas baixas, em detrimento das zonas altas; esta condição ainda é agravada devido à falta de controle das ligações, pois a maioria das cidades não dispõe de hidrômetros. Assim com um comportamento de consumo onde o bolso não entra no negócio, pois tanto faz consumir mais ou menos o valor da conta é o mesmo, o que se assiste é um grande desperdício, pois nas zonas baixas as pressões são muito altas, e na zona alta a pressão é insuficiente e às vezes nula.
Nas cidades dotadas de hidrômetros e onde existe uma grande diferença de nível entre os bairros da zona alta e os bairros da zona baixa, temos uma excessiva pressão atuando nos medidores o que acarreta o seu mau funcionamento, e não raras vezes a ocorrência de arrebentamentos de rede devido a falta de limitadores de pressão em diferentes períodos de consumo. Em qualquer situação relatada temos um elevado índice de perdas e uma insatisfação dos usuários, alem do desperdício de dinheiro da operadora com produção desnecessária e manutenções de redes.

Solução Operacional

Para garantir um equilíbrio de pressão na rede de distribuição, o mercado dispõe de válvulas redutoras de pressão, que instaladas em pontos estratégicos da rede, garantem uma pressão a montante e uma pressão ajustada a jusante, com duas funções a saber:

Válvula Redutora de pressão função simples

Princípio de funcionamento

Válvula de controle auto-operada, unidirecional, instalada na rede, tem a função de reduzir uma pressão de entrada mais alta e variável em uma pressão mais baixa e constante de saída, independente das variações da vazão.
Válvula Redutora de pressão função dupla

Princípio de funcionamento

Tem a função de reduzir uma pressão mais alta de montante para duas pressões de jusante (alta e baixa). Auto ajustada pela demanda de consumo sem a utilização de controladores de fluxo ou equipamentos elétricos


Estas válvulas operam exclusivamente em função do comportamento hidráulico do abastecimento, o operador programa a condição de funcionamento, e este será mantido independente de ações de operadores.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

MONITORAMENTO DE ELEVATÓRIAS DE ESGOTO

MONITORAMENTO DE ELEVATÓRIAS DE ESGOTO


Pelo processo construtivo e critérios de projeto, as EEE (Estação Elevatória de Esgoto) são locadas e construídas nos fundos de vale e obviamente próximo aos Córregos e Rios; nesta condição fica muito fácil operar uma descarga, e ou lidar com uma falta temporária de energia, ou falha nos equipamentos de bombeamento, pois em função da capacidade do corpo receptor e da intensidade da descarga, bem como o seu tempo de duração, torna-se imperceptível quanto ao aspecto visual, porém o dano ao meio ambiente é representativo.


Atualmente porem com o advento do celular, e do rádio em transmissão de dados, monitorar o funcionamento de elevatórias de esgoto, e Booster em redes de distribuição, tornou-se quase que uma obrigatoriedade, em razão do baixo custo de investimentos, e dos benefícios auferidos, alem de evitar notificações e pesadas multas dos órgãos ambientais. Nas EEE quando eventualmente ocorrer uma parada e houver um extravasamento, um sensor lê este estado de operação e envia um SMS ao operador de plantão, que aciona imediatamente a manutenção colocando o equipamento reserva em operação; é uma atividade emergencial e rápida que evita um volume de descarga nos córregos e rios. Quando instalado em Booster o operador é avisado quando há uma falta de energia, ou quando há um desligamento não programado, podendo ainda ser transmitido a pressão na rede, com intervalos de monitoramento de 3 minutos.


Monitoramento em Saneamento


O TELECOMANDO GSM, desde que se tenha disponibilidade de rede celular GSM permite realizar acionamentos de;


1. Cargas a distancia, tais como motores, válvulas, conjunto moto-bomba
2. Controle de nível em reservatórios,
3. Pode ser usado também para envio automático de SMS para anunciar eventos, como nível crítico, extravasamento de EEE, invasão de área dentre outras aplicações.

4. Pressão na Rede de Distribuição


Outras Aplicações:


4. Envio de mensagem quando houver invasão Domiciliar
5. Idem quando o Alarme Veicular for acionado
6. Idem quando houver falha de energia em pontos vitais

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MOBILIZAÇÃO SOCIAL


MOBILIZAÇÃO SOCIAL

Em atendimento às diretrizes da Política Nacional de Saneamento, Lei n.º 11.445/07, de 5 de janeiro de 2007, regulamentado pelo Decreto nº 7.217, de 21 de junho de 2010, O Plano Municipal de saneamento básico que deve ser elaborado pelos municípios, como condição básica para obtenção de recursos federais a partir de 2.014, deve ter a participação e o envolvimento da sociedade ao longo de todo o período de elaboração e implantação do PMSB, por meio de conferências, seminários, reuniões, oficinas entre outras ações. O município deverá estabelecer as ações de mobilização social, por meio do Plano de Mobilização Social (PMS), onde definirão os objetivos, metas e escopo da mobilização, além de cronogramas e principais atividades a serem desenvolvidas. O Plano de Mobilização Social deverá:

a. Refletir as necessidades e anseios da população;

b. Apresentar caráter democrático e participativo, considerando sua função social;

c. Envolver a sociedade durante todo o processo de elaboração do PMSB;

d. Sensibilizar a sociedade para a responsabilidade coletiva na preservação e conservação dos recursos naturais;

e. Estimular os segmentos sociais a participarem do processo de gestão ambiental; e

f. Estimular a criação de novos grupos representativos da sociedade não organizada.

Assim, o PMS deverá contemplar o planejamento detalhado, incluindo a apresentação de cronograma, das principais atividades para a mobilização social, tais como:

a. identificação de atores sociais envolvidos no processo de elaboração do PMSB;

b. identificação e discussão preliminar da realidade atual do município, no âmbito do saneamento básico;

c. conferências, seminários, consultas públicas e encontros técnicos participativos,

d. divulgação da elaboração do PMS a todas as comunidades (rural e urbana), bem como a maneira que será realizada tal divulgação, como faixas, convites, folder, cartazes e/ou meios de comunicação local;

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

RECURSOS FINANCEIROS X PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO 2


Municípios têm até outubro para entregar propostas de planos de saneamento
16/09/2010 17:40 - Portal Brasil

O Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (16) traz uma portaria que concedeu maior prazo a municípios brasileiros para apresentarem as propostas para solicitação de recursos para elaboração dos Planos Municipais de Saneamento (PMSB). O novo prazo para entrega do documento vai até o dia 18 de outubro.

Em 2009, por meio da Portaria nº 1.232, foram selecionados 69 municípios para entregarem o documento. Cada um deverá formular as propostas com base nos critérios e procedimentos estabelecidos pela Funasa e no Termo de Referência para Elaboração de Plano Municipal de Saneamento.

O Decreto Presidencial Nº 7.217, que regulamenta a Lei 11.445/2007 (Lei de Saneamento Básico), estabelece que a partir do exercício de 2014, os municípios que não apresentarem seus Planos Municipais de Saneamento Básico não terão acesso a recursos Federais destinados a realização de obras de saneamento básico.

Fonte:Funasa

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

REGULAÇÃO DO SETOR DE SANEAMENTO

REGULAÇÃO DO SETOR DE SANEAMENTO

O setor de saneamento ambiental tem sido apontado pelos candidatos à presidência da República em seus programas para os próximos quatro anos como de absoluta prioridade. Mas no ritmo em que o planejamento e a execução das obras, em nível local e regional, caminham, a universalização dos serviços só deve acontecer em 2055, segundo prevê o presidente da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de
(Água e Esgoto), Yves Besse.

Para que o setor avance e se torne mais ágil à luz das exigências da nova Lei do Saneamento, um obstáculo importante precisa ser superado:

A IMPLANTAÇÃO DE MECANISMOS DE REGULAÇÃO DOS SISTEMAS DE SANEAMENTO, ESPECIALMENTE ABASTECIMENTO DE ÁGUA, COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTOS, DRENAGEM E RESÍDUOS SÓLIDOS.
A constituição de agências reguladoras é hoje pré-requisito para melhorar a qualidade da gestão dos serviços no Brasil e, conseqüentemente, dar mais eficiência ao setor. Somente dessa maneira, será possível viabilizar os investimentos públicos e privados necessários para a universalização dos serviços em 20 anos, estimados pelo Ministério das Cidades em cerca de R$ 240 bilhões.

Mas afinal, o que é regulação?

Numa economia de mercado, regular significa intervir para equilibrar as relações entre Poder Concedente, Prestador de Serviços e o usuário, ante as atividades naturalmente monopólicas, através de um instrumento autônomo e independente.

O monopólio natural das empresas leva o consumidor a uma posição totalmente indefesa. É necessário que o estado intervenha para colocar ordem. E é preciso todo um aparato técnico e legal para que isso ocorra.

A nova Lei do Saneamento, regulamentada pelo Presidente da República, em junho último, através do Decreto nº 7217, determina que os serviços de saneamento, quando não prestados diretamente pelo município, deverão ser prestados por meio de contrato. Mas para a celebração dos contratos, a lei prevê quatro requisitos básicos para celebração dos contratos, sob pena de não possuírem validade jurídica:

1. Elaboração de plano de saneamento básico;
2. Garantia de regulação, com normas claras de regulação e definição do agente regulador e fiscalizador dos serviços;
3. A realização de estudo sobre a viabilidade técnica e econômica financeira da prestação dos serviços antes da contratação;
4. E exigência de consulta e audiências públicas antes dos contratos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

RECURSOS FINANCEIROS X PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO

A Fundação Nacional de Saúde - FUNASA está selecionando propostas a serem apoiadas, técnica e financeiramente, para a elaboração e implantação de Plano Municipal de Saneamento Básico, através de celebração de convênio.


O prazo para encaminhamento das propostas termina em 18.09.2010

Objetivo: elaboração e implantação do PMSB – Plano Municipal de Saneamento Básico, de forma participativa, a fim de universalizar o acesso aos serviços de saneamento básico e construir cidades includentes, democráticas e sustentáveis, em consonância com a Política Nacional de Saneamento, Lei nº 11.445 de 2007 e Decreto de Regulamentação nº 7.217 de 2010.


Na elaboração de propostas, os proponentes deverão levar em consideração:

a) Atendimento às diretrizes da Política Nacional de Saneamento, Lei n.º 11.445/07, de 5 de janeiro de 2007 regulamentado pelo Decreto nº 7.217, de 21 de junho de 2010;

b) Melhoria da eficiência da gestão e cobertura dos serviços de saneamento;

c) Aprimoramento de políticas públicas urbanas com ênfase na gestão participativa;

d) Otimização dos investimentos para obtenção de melhor relação custo X benefício;

e) Preocupação ambiental para preservação e conservação de recursos naturais;

f) Articulação com outros programas do Governo Federal. Serão elegíveis os municípios com população total (urbana e rural) de até 50.000 habitantes (Censo/2000), exceto os de regiões metropolitanas ou regiões integradas de desenvolvimento econômico (RIDE) e que atendam as seguintes condições:

a) Os Municípios com população superior a 20.000 habitantes que:

1 – Apresentem Plano Diretor instituído, em desenvolvimento ou em aprovação, e

2 – Apresentem prestação de serviços em saneamento estruturada (departamento, autarquia municipal, empresa pública, sociedade de economia mista, consórcios públicos e outros).

b) Os Municípios com população igual ou inferior a 20.000 habitantes que:

1 – Apresentem prestação de serviços em saneamento estruturada (departamento, autarquia municipal, empresa pública, sociedade de economia mista, consórcios públicos e outros).Os proponentes deverão efetuar o encaminhamento das propostas por intermédio do Sistema de Gestão de Convênios

ORGÃO: 36211 CÓDIGO DO PROGRAMA: 3621120100009

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

RELAÇÕES EMPRESARIAIS

RELAÇÕES EMPRESARIAIS


A alguns anos, recebi este texto, de autor desconhecido, a história é de um consultor, que tinha muitos problemas quando em visita por diversas Prefeituras, e Orgãos Públicos, e seus vários Setores.

Dentre os conceitos da qualidade total, figuram a prestação interna de serviços, onde cada pessoa ou Setor, na Prefeitura, ou qualquer órgão público, deve ver aqueles com quem se relaciona como clientes ou fornecedores internos, mas a realidade em alguns casos ainda, é muito diferente..

No seu livro Services Within, Karl Albrecht cita sete pecados na prestação interna de serviços, caracterizando os tipos de Setores por apelidos.

A experiência brasileira leva a acrescentar mais seis tipos, resultando assim em um total de 13 tipos de Setores, que relacionamos em nosso cotidiano.

Na leitura que se segue, você vê algo parecido em seu relacionamento, com Prefeituras, ou Órgãos Públicos, ou dentro de sua organização de trabalho?

1. "Buraco Negro" – As coisas entram neste Setor e parece que nunca saem. Pedidos de informação, Assessoria ou solicitações para acelerar processos são ignorados. O Setor opera dentro das suas próprias prioridades e ignora pedidos recebidos, exceto os "vindos de cima"...

2. "Bate-volta" - Rejeita pedidos de serviços baseando-se sempre em detalhes burocráticos. "Rejeitado porque o campo 24 do formulário não foi preenchido corretamente", etc. Em vez de telefonar para o outro Setor pedindo o detalhe que falta, devolve a solicitação de serviço.

3. "Legislador por decreto" – Alguns Setores têm por hábito fazer declarações sobre o que eles irão fazer ou deixar de fazer no futuro. "A partir de hoje, este Setor não aceitará mais pedidos que não venham acompanhados de justificativa escrita e assinados por dois chefes de Setor". A mensagem é "A regra é essa. Se não quiser, dane-se".

4. "Peguei no flagra" ou "Ahááá"– Alguns Setores têm atribuições que os colocam em posição de supervisão sobre outros. Eles têm um prazer quase sádico em apanhar os outros Setores cometendo erros ou violando regras.

5. "Não pode" – Um Setor "não pode" adora exercitar seu poder de veto. As pessoas de lá gostam muito mais de dizer "não" do que "sim". Eles sempre dizem aos seus clientes internos porque uma determinada coisa não pode ser feita, em vez de procurar uma maneira de atender suas necessidades.

6. "Burócra" – Este tipo de Setor solicita montanhas de papel toda vez que você tenta fazer algo. Eles têm formulários especiais para tudo que você quer fazer. Há muito tempo esqueceram como discutir os problemas ao telefone e agir imediatamente. Tudo tem que ser submetido em formulários-padrão, de preferência em 6 vias, é claro que sempre com 15 assinaturas (no mínimo?) para poderem decidir.

7. "Guardião de atribuições" - É o Setor que tem preocupação excessiva com sua área de responsabilidade, esquecendo o bom senso e o compromisso com resultados. Está sempre preparado para o ataque a qualquer sinal de que outro Setor possa fazer coisas de sua atribuição. Todos os Setores devem se pautar pela sua missão, mas é comum encontrar Setores que não fazem o que deve fazer ao mesmo tempo em que também não deixam os outros fazerem o que precisam para resolver seus próprios problemas.

8. "Ocupador de espaços" - Baseado na lei de Fang que "a pessoa não faz o que deve, faz o que sabe fazer" – ou o que pensa que sabe... Alguns Setores não cumprem as suas atribuições e ficam fazendo a tarefa dos outros, buscando permanentemente aumentar as suas atribuições no papel e disputar poder com outros Setores. O clima de beligerância que se cria com essa atitude é desagregador para a empresa. Quando um "guardião de atribuições" se encontra com um "ocupador de espaço" a guerra é líquida e certa.

9. "Quem, eu?" (ou "João Sem Braço"...) - Alguns Setores não têm nenhuma preocupação com o resultado final dos processos em que se inserem, e executam a sua parte sem o mínimo envolvimento com as ansiedades do resto da empresa. São Setores reativos e não pró-ativos, e não contribuem além do seu papel para o resultado final. Costumam afirmar "a minha parte eu já fiz e se não deu certo a culpa não é minha".

10. "Nuécumigo" (talvez de origem indígena...) - Este tipo de Setor costuma achar o seu trabalho perfeito e alardeia, muitas vezes para os próprios clientes externos, que a sua área funciona mas o resto da empresa é que é incompetente. Conhecem perfeitamente os defeitos dos outros Setores, mas são incapazes de observar os seus. O efeito externo dessas declarações é devastador para todos. Estão no mesmo barco e acham que o furo é do outro lado.

11. "Centralizador" ou "Numtchan nemsai decima" (pronuncie com acento oriental) - mesmo que não consiga executar o trabalho, este Setor não repassa o serviço para outros Setores, e não repassa informações para que o usuário do serviço possa fazer a parte dele. Sua fila de solicitações/ pode ficar imensa, mas ele não pensa em outra solução para o cliente a não ser instruí-lo a "aguardar na fila".

12. "Mal educado" - Para este Setor o cliente (externo ou interno) é, antes de tudo, um chato ("Trabalhar nesta empresa até que é bom, se não fossem os clientes..."). Leva "chá-de-cadeira" em ante-salas, não tem seus telefonemas respondidos, e dificilmente ouvirá um "obrigado", "por favor" ou "com licença".

13. "Xácomigo" - Este é o voluntarioso. Acha que pode fazer tudo, mas de tanto aceitar tarefas não sai do outro lado com nenhuma. Prazos e custos são sempre subdimensionados. Pode se transformar na prática em um "buraco negro".
A melhoria nos meios de comunicação, a tecnologia digital, entre outros fatores tem contribuido para minimizar a ação dos que buscam agir contrariando o bem coletivo, mas ainda assim é factivel a existencia de condições desfavoráveis, entre clientes que buscam qualidade de serviços de atendimento, e prestadores de serviço.
No saneamento a situação se agrava porque existe um unico prestador de serviço, e a população não tem alternativas, daí a necessidade da regulação, e do controle social que está muito bem caracterizada na lei do saneamento, que a partir de junho de 2.010 passou a ser um instrumento da sociedade contra os maus prestadores de serviço, e que comentaremos em artigo oportuno.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O FRACASSO DO SANEAMENTO BÁSICO

Rede de esgotos, fundamental para a saúde e para o desenvolvimento econômico, ainda é um luxo em quase metade das cidades brasileiras. Em menos de meio século, a migração do campo para a cidade mudou radicalmente a distribuição espacial da população. Pelo menos 85% dos brasileiros vivem hoje em cidades. Mais do que nunca precisam de serviços públicos de saneamento. Em 2008, no entanto, só 55,2% dos municípios dispunham de coleta por meio de rede sanitária.

Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - IBGE

A melhora foi mínima desde a virada do milênio. Em 2000, a proporção era de 52,2%. O aumento foi de apenas 3 pontos porcentuais, embora o País tenha atravessado uma fase de prosperidade. Nesse período, a receita de impostos e contribuições cresceu rapidamente em todos os níveis de governo.

A média nacional de 55,2%, no entanto, ainda esconde situações dramáticas na maior parte dos Estados e regiões. No Sudeste, em 2008, havia redes coletoras de esgotos em 95,1% dos municípios. Em nenhuma outra região a proporção chegava a 50%. A melhor condição era a do Nordeste, com o serviço em 45,7% dos municípios.

O saneamento continuou precário mesmo nas áreas com redes coletoras. Nessas, 33,5% dos domicílios tinham acesso ao serviço em 2000. Oito anos depois eram 44%. (Mais de metade, só no Sudeste, com a proporção de 69,8%.) Só três unidades da Federação tinham números superiores a 50%:

Distrito Federal (86,3%),
São Paulo (82,1%) e
Minas Gerais (68,9%).

Vários fatores contribuíram para a persistência de condições tão ruins. A Lei do Saneamento Básico só foi aprovada e sancionada em 2007, depois de quase dez anos de discussões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só assinou o decreto de regulamentação dessa lei há cerca de dois meses, no dia 21 de junho. Alguns Estados e municípios dispõem há muito tempo de serviços bem estruturados e com boa base técnica. Esses foram menos prejudicados pela demora na tramitação do projeto de lei.

Houve dificuldades, em muitas partes do Brasil, para a conclusão de contratos entre o setor público e possíveis prestadoras de serviços de saneamento. Além disso, muitos governos municipais foram incapazes, por falta de qualificação técnica, de preparar os projetos necessários para o recebimento de recursos federais. Havia dinheiro, mas faltavam condições técnicas e administrativas para a sua aplicação em programas de saneamento.

Esse detalhe foi aparentemente menosprezado quando se elaborou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007. A participação dos governos estaduais e municipais seria essencial para a realização de investimentos importantes, mas não estavam preparados. O problema só foi percebido muito depois. Resultado: apenas 12% das obras de saneamento previstas no PAC foram concluídas até abril deste ano.

Fonte: organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças e da gestão públicas

Das 8.509 ações programadas para o período 2007-2010, só 1.058 foram terminadas até abril. Estavam sendo executadas 2.627. As demais 4.824 continuavam em licitação, contratação ou ação preparatória - no papel, portanto.

A Fundação Getúlio Vargas tem realizado pesquisas sobre os problemas de saneamento e suas implicações econômicas e sociais. Segundo estudos citados num desses trabalhos, cada R$ 1 aplicado em saneamento resulta em economias na faixa de R$ 1,50 a R$ 4 em gastos com saúde. Além disso, há uma significativa redução nas faltas à escola e ao trabalho e, portanto, menor desperdício de recursos e de oportunidades. Um trabalhador com acesso à rede de esgotos tem produtividade cerca de 13% maior que a de pessoas sem esse benefício. Tem maior possibilidade, portanto, de ganhar mais e de elevar as condições de vida e as perspectivas de progresso da família. Nesse caso, como no da educação, os efeitos tendem a multiplicar-se e os benefícios vão muito além do indivíduo.

Se os Municípios não tinham capacidade de receber recursos federais por falta de projetos, agora estes mesmos municípios devem elaborar o PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO, como requisito fundamental para obtenção dos recursos, mais uma importante barreira no processo de investimentos em saneamento, muito pior é utilizar dinheiro público em obras que não trazem nenhum beneficio a população, pois são empreendimentos realizados sem nenhum planejamento.

Fonte: O ESTADÃO

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO

PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO

É sabido que por falta de planejamento, recursos financeiros, e ausência de projetos, os investimentos em saneamento nos Municípios de Mato Grosso, ocorrem na dimensão da dotação orçamentária das emendas parlamentares, e em alguns casos sem a geração da totalidade dos benefícios esperados, pois apenas uma parte dos problemas são resolvidos. Esta situação será eterna enquanto não for equacionado o Plano Diretor de Saneamento da Cidade, com um enfoque de universalização com projetos de alta tecnologia, as etapas construtivas, fontes de recursos, auto sustentação do negócio, e compromissos políticos.

A ausência de recursos financeiros, sempre foi colocada em primeiro plano como o maior entrave da universalização do saneamento, assim como, a política de parceria com a iniciativa privada foi considerada como um ato repudiado por uma parcela dos legisladores municipais. Estas duas questões podem ser desmembradas com os seguintes enfoques:

Qual o custo da universalização do serviço?

Onde deve ser prioritariamente investido?

O serviço terá capacidade de auto sustentar-se?

Todos os legisladores, e a municipalidade conhecem o problema como um Todo?

O recurso de empreendores privados poderia ajudar a solucionar o problema?

Em quase a totalidade dos municípios a resposta é não sei, não conheço, não tenho idéia....

Eis, portanto algumas das razões para que o titular dos Serviços de Saneamento, o Prefeito Municipal elabore o PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO, que por estas e outras razões tornou-se lei regulamentada a partir de junho de 2.010, e antecipando uma das respostas citamos matéria postada na revista exame, “As instituições públicas e privadas não são capazes de universalizar o serviço de saneamento básico brasileiro por conta própria. Segundo dados do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto de 2008, do Ministério das Cidades, falta água potável para 19,8% da população brasileira. Os serviços de coleta e tratamento de esgoto atendem a menos da metade dos brasileiros: 43,2% e 34,6%, respectivamente”. Para conhecer a real capacidade de resolver o problema de saneamento no município, como resolver, e em que prazo, somente planejando, e planejar é o papel do Plano de Metas, ou Plano Municipal de Saneamento Básico.